Arquivos fome - Canal MyNews – Jornalismo Independente https://canalmynews.com.br/tag/fome/ Nosso papel como veículo de jornalismo é ampliar o debate, dar contexto e informação de qualidade para você tomar sempre a melhor decisão. MyNews, jornalismo independente. Fri, 24 May 2024 19:18:55 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.2 Ministro destaca queda acentuada da insegurança alimentar no Brasil https://canalmynews.com.br/noticias/ministro-destaca-queda-acentuada-da-inseguranca-alimentar-no-brasil/ Fri, 24 May 2024 19:18:55 +0000 https://localhost:8000/?p=43448 Mais de 20 milhões deixaram situação de fome em 2023, diz Padilha

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O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, atribuiu à valorização do salário mínimo e do Bolsa Família a saída de mais de 20 milhões de pessoas da situação de fome no ano de 2023. O número de pessoas com insegurança alimentar e nutricional grave no Brasil recuou de 33,1 milhões em 2022 para 8,7 milhões em 2023, passando de 15,5% da população para 4,1%, uma queda de 11,4 pontos percentuais.

“O presidente Lula voltou a colocar o combate à fome como prioridade absoluta de seu governo. Isso reflete em políticas concretas como o aumento do salário mínimo, do Bolsa Família e dos recursos para alimentação escolar, que há seis anos não tinha reajuste, a criação do programa federal das cozinhas solidárias. São políticas que voltam a partir da aprovação no Congresso Nacional”, disse Padilha. O ministro participou, nesta sexta-feira (24), da reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, conhecido como Conselhão, que promoveu o evento Diálogos sobre Estratégias de Combate à Fome no Brasil, no Rio de Janeiro.

Padilha informou que, no início de junho, haverá reunião entre os grupos de trabalho do Conselhão de combate à fome e da reforma tributária na Câmara dos Deputados. O objetivo será discutir como a regulamentação da reforma tributária pode ajudar ainda mais no combate à insegurança alimentar.

“Foi um avanço muito importante na reforma tributária colocar a criação da cesta básica nacional, a isenção de impostos para a cesta básica nacional e agora na regulamentação, a gente pode incentivar ainda mais o combate à fome, a alimentação saudável, a agricultura familiar. Você tem um incentivo tributário também”, disse o ministro.

A secretária extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome do Ministério do Desenvolvimento Social, Valéria Burity, disse que, dos 8,7 milhões de pessoas que passam fome, 7 milhões estão em áreas urbanas. “A gente associa essa queda a uma política econômica que gera emprego, reduz desigualdade, controla a inflação e as políticas sociais, novo Bolsa Família, valorização do salário mínimo.”

Segundo Valéria, a meta é sair do Mapa da Fome até 2030. “A fome é mais prevalente no Norte e no Nordeste. Está mais presente em domicílios chefiados por mulheres negras com crianças e adolescentes. Seis estados concentram mais de 60% dos domicílios em insegurança alimentar grave, o que nos ajuda a direcionar as políticas públicas”.

O Conselhão é responsável pelo assessoramento do presidente da República na formulação de políticas e diretrizes destinadas ao desenvolvimento econômico social sustentável. Além de elaborar indicações normativas, propostas políticas e acordos de procedimento, o conselho aprecia propostas de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento econômico social sustentável, e articula as relações do governo federal com os representantes da sociedade civil, e aos mais diversos setores que estão representados no colegiado.

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Combate à corrupção é um desejo ofuscado pela fome, mas que existe, existe. https://canalmynews.com.br/politica/combate-a-corrupcao-e-um-desejo-ofuscado-pela-fome-mas-que-existe-existe/ Fri, 28 Jan 2022 18:25:01 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=23311 O atual cenário político e social não pode ser usado para maquiar um dos principais problemas da sociedade brasileira; eleições colocarão em prova o que o eleitor realmente leva em conta

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As eleições de 2022 estão passando uma sensação, dez meses antes de sua realização, que será a eleição da economia, da inflação, da falta do poder de consumo, grande problema hoje da maioria dos brasileiros de classe B, C e D.

Para os eleitores de classe B, isso se concretiza no endividamento, na distância de se ter uma vida mais tranquila, que permita poupar, planejar o futuro, e usufruir de seu trabalho sob forma de lazer e cultura, para os eleitores de classe C, ela simboliza a angústia constante de se fechar o mês, a redução drástica do poder de consumo e a frustração de se pagar altos impostos e usufruir de um sistema de serviços públicos precário, para os de classe D, a fome, a redução na ingestão de proteínas, a falta de remédios, os cortes de luz, a lenha no lugar do gás de cozinha.

Sem dúvida a economia, é o grande problema do Brasil hoje, o poder de consumo é o motor do mundo moderno, tudo converge nele, o cidadão que não consome se sente excluído, daí o grande crescimento de Lula nas pesquisas a partir do 2º semestre de 2021, de 20% de intenção a sete meses atrás, Lula chega a mais de 40% no início de 2022, a correlação é simples, o poder de consumo foi corroído pela inflação de coisas básicas x consumia-se mais na era Lula 2003-2010.

O eleitor brasileiro analisa diretamente a comparação de épocas, só existe hoje a polarização entre Lula x Bolsonaro, eleitor é profundamente desinformado em todas as classes, o que sobra é que Lula foi melhor no comparativo de nível de vida, e a escolha é quase automática numa eleição.

Reside um grande engano da esquerda brasileira, ela acredita que a intenção de voto em Lula é uma absolvição de Lula à suas condenações na época da Lava a Jato, o PT não foi absolvido de nada, em qualitativas percebemos que a maioria do eleitor considera Lula e o PT culpados de uma série de desmandos administrativos e casos de corrupção, a ascensão e volta do PT ao ideário eleitoral está na comparação ao Governo Bolsonaro, para os pobres diretamente em relação ao poder de consumo e efeitos da inflação, para a classe média no pavor da postura do presidente ante a epidemia de Covid e os efeitos da política econômica desastrosa do Ministério da Fazenda.

Questões éticas estão mais flexíveis nessa eleição por parte do eleitor principalmente mais pobre, as massas querem comida, enquanto a classe média quer paz (perdida desde a pandemia) e esperança, mesmo essa classe média não sabendo definir o que quer de fato no futuro, se um Estado liberal ou protetor, navegando
entre desejos de ser uma Suécia em alguns momentos, os EUA em outros e até a China.

A falta de informação sobre a terceira via reina nas qualitativas pelo país, candidatos são diferentes demais, com uma comunicação reduzida à uma bolha de seguidores, e aos meios de comunicação, eles não chegam nas massas, sendo assim a polarização é o que sobra, definindo a eleição numa decisão de não deixar Lula ou Bolsonaro vencerem, usando um ou outro de alternativa eleitoral para se vencer o rejeitado.

Porém o combate à corrupção ainda permeia o sonho do eleitor brasileiro, maioria considera todos políticos corruptos, Bolsonaro não quebrou o sistema como era a expectativa da maioria dos seus eleitores em 2018, apenas uma extrema direita, cerca de 15% a 17% o considera honesto de verdade, suas alianças assustam os mais informados, a volta de Lula ao mesmo tempo que traz um alívio quase estomacal pros seus eleitores, é acompanhada de uma certeza que a corrupção voltará em maior grau com sua vitória, isso se constata em quase metade de sua intenção de voto (cerca de 50% dos seus 40% a 45% de intenção de voto acreditam que Lula é corrupto).

Mais um erro da esquerda é acreditar que o povo condenará a operação lava a jato, mais de 70% dos eleitores em pesquisas quantitativas aprovam a operação, a prisão de políticos, executivos públicos e donos de empreiteira, são um marco respeitado pela maioria do eleitor brasileiro, se tentarem desconstruir isso, inclusive com a exposição de seu maior líder, o presidenciável Sérgio Moro, poderá se criar um fato perigoso, que pode se reverter contra Lula, e transformar uma eleição que até agora é apenas anti-Bolsonaro, numa eleição também anti-Lula.

Porém de forma pragmática, o combate a corrupção per si, não coloca comida no prato do brasileiro, nem abaixa sua conta de luz, ao menos lhe gera o emprego sonhado, a redução da discussão em apenas combate a corrupção agrada parte da classe média, mas não define o voto dos mais pobres, e eleições presidenciais não se vencem na classe média no Brasil, como se vence o Governo de SP, eleições nacionais se vencem nas classes C e D.

A corrupção ainda tem grande espaço na discussão nacional, o brasileiro percebe cada vez mais que a falta de serviços públicos de qualidade em grande parte reside na falta desse combate, quanto mais sobe o nível de instrução do eleitor mais se constata isso.

Porém de uma frente ampla de combate a corrupção que se viu em 2018, ela se reduz em 2022 a poucos interlocutores eleitorais, o bolsonarismo perdeu esse discurso, e optou pela bandeira de costumes e religiosidade, preferiu fidelizar sua extrema direita de 15% a conquistar seus 55% de votos do 2º turno de 2018, tenta recuperar algo com suas alianças políticas se consolidando como única opção viável contra Lula, planeja conquistar mais uns 15% de eleitores anti-Lula que se dividem em candidatos da 3ª via, e nos quase 40% de indecisos (espontânea) nas mesmas quantitativas.

Claramente a sobrevivência da 3ª via está com dias contados, mas ela existe ainda, se tiver uma união entre parte dos players em torno do discurso do combate a corrupção, com alternativas de melhoria econômica prática e não teórica, como queda no preço dos alimentos, energia e gás, e geração de emprego, a eleição assim não se definirá cedo como deseja lulistas e bolsonaristas. Porém se isso não acontecer a tempo, e a união da polarização (Lula e Bolsonaro) ocorrer nos bastidores para destruir as alternativas de 3ª via com eficácia, a eleição se definirá cedo entre Lula e Bolsonaro, numa eleição muito mais de voto útil do que de uma escolha real.

Por enquanto o futuro não surgiu, e o que existe é a discussão entre presente e passado, o que deixa maioria do eleitor desesperançoso, e isso constato semanalmente em pesquisas qualitativas.

O futuro é algo que nunca ocorreu na política, e o combate a corrupção no Brasil, permeia esse sonho. Talvez não chegue dessa vez.


Quem é Renato Dorghan?

Renato Dorghan é especialista em pesquisas qualitativas e quantitativas, tem MBA em marketing político e participa de eleições majoritárias por todo o país há mais de 20 anos, atuando nas áreas de pesquisa, estratégia política, marketing eleitoral e governamental. É também advogado e membro fundador do CAMP.

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Inflação faz brasileiro se alimentar menos https://canalmynews.com.br/economia/inflacao-faz-brasileiro-se-alimentar-menos/ Tue, 23 Nov 2021 19:44:26 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/inflacao-faz-brasileiro-se-alimentar-menos/ Pesquisa divulgada pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade Presbiteriana Mackenzie analisou o efeito da inflação no poder de compra do salário mínimo entre 2011 e 2021

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O tema inflação voltou a aparecer nos noticiários e nos debates dos brasileiros. Com o constante aumento nos preços de todos os produtos e, principalmente, dos alimentos, o que se coloca à mesa e a qualidade destes produtos tem preocupado a população. Antes de explorarmos os efeitos da inflação nos alimentos é interessante entendermos o que significa o termo inflação.

Segundo o Banco Central do Brasil (BCB) “inflação é o aumento dos preços de bens e serviços”, ainda segundo o BCB “ela implica diminuição do poder de compra da moeda”. Em suma, quando existe inflação, o poder de compra da moeda diminui e, consequentemente, se adquire menos com o mesmo montante de dinheiro. O órgão governamental explica que o indicador oficial da inflação é o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Infelizmente, esses termos estão muito longe da realidade vivida pela maior parte dos brasileiros. Estes brasileiros, que todos os dias precisam honrar com suas contas, comprar alimentos, pagar o aluguel e, cada vez mais, percebem que o salário não é capaz de cumprir com tantas obrigações, que estão subindo de preço mês a mês (isso quando esses brasileiros recebem salários).

Uma pesquisa feita pelos professores de Ciências Contábeis da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM) analisou os efeitos dos aumentos de preços (inflação) de alguns alimentos básicos in natura (commodities agrícolas) no poder de compra do salário-mínimo do Brasil. Os alimentos selecionados para este estudo foram os alimentos básicos que têm seu valor divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) que é parte do Departamento de Economia, Administração e Sociologia da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq), unidade da Universidade de São Paulo (USP).

O Cepea divulga dos valores das commodities agrícolas desde 1986. No entanto, para essa análise, consideramos os valores de janeiro de 2011 até outubro de 2021. Para cada um dos alimentos foram feitas duas análises gráficas: a primeira análise foi a variação histórica do preço e a segunda análise foi a porcentagem que este item representa sobre valor do salário-mínimo do ano. Assim, é possível verificar a influência da inflação no poder de compra desses produtos.

O primeiro alimento selecionado foi arroz em casca, que é base alimentar do Brasil. Observe que entre os anos de 2011 e 2020 o aumento do salário mínimo era acima ou igual à variação ocorrida no preço do arroz.

inflação saca do arroz em casca
Variação de preços da saca do arroz em casca em comparação com o salário mínimo/Imagem: Divulgação/Universidade Presbiteriana Mackenzie

Por anos, o arroz mantém seu valor abaixo de R$ 50 a saca de 50 quilos. Entretanto, observa-se que, após maio de 2020 os preços passaram a subir rapidamente ultrapassando os R$ 100 a saca em setembro, outubro e novembro de 2020. Nos meses seguintes, o preço foi ajustado, mas continua acima dos R$ 70 a saca. Observa-se também que até maio de 2020, a saca de arroz representava menos que 5% do salário-mínimo. Em outubro de 2021, a saca representa quase 7% do salário. Isso evidencia a perda real do poder de compra do salário-mínimo em 2021.

Em outros dois casos, foram avaliados o café arábica e o trigo, produtos esses que são parte do tradicional café da manhã com o pão francês dos brasileiros. Neste gráfico, observa-se que a variação do poder de compra era bem maior do que a variação do café e do trigo ao longo dos anos pesquisados.

Os consumidores devem ter percebido o aumento do café nos últimos meses. Essa percepção não é somente uma observação pontual. Veja no gráfico a velocidade com que houve a perda do poder de compra em relação ao aumento do preço do café.

Nunca foi tão caro tomar café. A saca de 60 quilos passou dos R$ 1.000 em outubro de 2021, ou seja, um brasileiro que recebe um salário-mínimo não é capaz de comprar uma saca de café com seu salário mensal.

O café não tem muitas oscilações nos preços ao longo dos anos, mas após março de 2019 a saca cresceu de preço quase 3 vezes até outubro de 2021, o que não foi acompanhado pelo reajuste do salário, demonstrando assim uma grande perda do poder de compra do trabalhador.

Grandes aumentos também foram observados no caso do trigo. Como toda commodity, ela possui uma variação sazonal ao longo do tempo. No entanto, a partir de 2019, observa-se o que o preço do trigo não tem oscilações, mas aumentos constantes.

Já o pão (feito de trigo) que completa o café, tem grandes oscilações históricas no preço da tonelada. O Brasil não é autossuficiente na produção da commodity, então fica dependente de cotações internacionais. Assim como café, após 2019 os preços não pararam de subir e desde março de 2020 e o brasileiro que recebe um salário-mínimo não consegue comprar uma tonelada de trigo.

Assista ao MyNews investe, de segunda a sexta, a partir das 18h30, no Canal MyNews, com apresentação de Vitor Hugo Gonçalves

A pesquisa também analisou os alimentos de proteína animal, que são um dos principais componentes do prato principal do brasileiro. Nesta pesquisa, observou-se os preços do frango congelado, o suíno vivo e o boi gordo. Os alimentos derivados de aves e suínos sempre foram mais acessíveis aos brasileiros e sua renda. A carne bovina, historicamente possui grandes variações e representam grande parte da renda de um trabalhador que recebe o salário-mínimo.

No caso do frango congelado, este sempre foi acessível e representou uma pequena parte do salário-mínimo. No entanto, é possível também observar que houve uma variação considerável nos últimos dois anos.

O preço do quilo frango nunca foi significativo sobre o salário-mínimo, em janeiro de 2011 os R$ 2,96 por quilo representavam 0,54% dos salários. Esse indicador de preço do frango em referência ao salário manteve-se no patamar até setembro de 2020. Após esse período, o salário não subiu na mesma proporção do quilo do frango, que subiu mais de 35%. Dessa forma, a participação na renda do trabalhador também aumentou.

No caso dos suínos, o preço do quilo segue a mesma tendência do quilo do frango. O gráfico de preços tem um pico em outubro e novembro de 2020, pois os custos de alimentação dos porcos cresceram muito, sendo que o milho e a soja dobraram de preço nesses meses, causando o aumento dos preços deste tipo de carne.

Já o Boi Gordo, que é o valor de bovinos machos, com 16 arrobas líquidas ou mais de carcaça e idade máxima de 42 meses, teve seu valor triplicado quando comparado o valor de janeiro de 2011 até agosto de 2021. No mesmo período, o salário-mínimo dobrou no mesmo período. Após abril de 2020 o preço do Boi Gordo entrou em uma tendência de alta. A pandemia, a demanda dos países quanto ao fornecimento de carne, a dificuldade de transporte e de acesso aos produtos fez com que o preço da carne aumentasse significativamente.

Os números da pesquisa mostram que o brasileiro está gastando mais para comprar seus alimentos. Itens básicos, que vão do básico do café da manhã, ao prato principal do almoço e até o jantar, demonstram variações muito além do poder de compra do brasileiro. É fácil observar que os salários não estão sendo reajustados na mesma proporção e velocidade dos aumentos dos preços dos alimentos.

Além disso, inúmeros fatores explicam esse aumento nos alimentos: crise econômica, falta de reformas importantes, o desencadeamento da pandemia, reações do meio ambiente aos constantes desmatamentos, crise hídrica, variação cambial, problemas de infraestrutura do país e aumento na demanda mundial.

O resultado de todos esses fatores já é visto nas ruas, nas famílias de baixa renda e nos desalentados, que pouco ou nada têm para se alimentar. Com os alimentos mais caros e a renda em queda, mais e mais brasileiros podem ter o risco de não conseguir ter o mínimo de alimento nos próximos meses.


Quem são Liliane Cristina Segura e Murillo Torelli Pinto?

Liliane Cristina Segura é coordenadora do curso de Ciências Contábeis da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Murillo Torelli Pinto é professor de Contabilidade Financeira e Tributária da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

* As opiniões das colunas são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a visão do Canal MyNews


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Mudanças climáticas colocarão mundo em cenário de pobreza e fome https://canalmynews.com.br/meio-ambiente/mudancas-climaticas-colocarao-mundo-em-cenario-pobreza-fome/ Tue, 09 Nov 2021 01:00:03 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/mudancas-climaticas-colocarao-mundo-em-cenario-pobreza-fome/ Análises apontam para aumento da pobreza extrema e da fome. Mudanças climáticas também devem provocar queda do PIB, da produtividade agrícola, instabilidade política e social

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A Conferência do Clima da ONU (COP26) chegou nesta segunda (8) a um impasse sobre se os países conseguirão firmar um acordo para diminuir as emissões de gases de efeito estufa e assumir compromissos com metas firmes e factíveis até a próxima sexta (12) – quando o evento será encerrado. Uma posição inusitada adotada em conjunto por Brasil, China e Índia deu um recado aos países ricos: se não transferirem recursos financeiros aos países com economias emergentes, não haverá acordo firmado na conferência de Glasglow.

É o que destaca o jornalista Jamil Chade – que realiza uma cobertura especial do evento, diretamente da Escócia. Chade teve acesso a um rascunho confidencial do relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) – que será lançado apenas em fevereiro de 2022. O cenário mostrado pelo documento aponta para o aumento da pobreza, da fome e para a queda do Produto Interno Bruto (PIB) em diversos países.

Marcha para o Clima (Glasglow Green) na COP26/Foto: Fotos Públicas/The Left in the European Parliament

“A crise na negociação é profunda e a COP26 entra na sua fase final numa situação delicada. Não existe nesse momento uma perspectiva de que esse acordo chegue até sexta. O relatório do IPCC vai apontar justamente o impacto social das mudanças climáticas. Os números são assustadores”, alerta Jamil Chade.

As análises dos especialistas apontam para o aumento da pobreza extrema para mais 132 milhões de pessoas até 2030 e o aumento da fome para mais 80 milhões de pessoas. Também devem ocorrer a queda do PIB e da produtividade agrícola em várias regiões do mundo, num cenário que aponta para instabilidade política e social.

COP26 - protesto contra mudanças climáticas
Pessoas protestam por medidas para conter as mudanças climáticas durante a COP26, em Glasglow, na Escócia/Foto: Fotos Públicas/The Left in the European Parliament

As mudanças climáticas terão impacto direto noutra agenda firmada por 192 países: a Agenda 2030 do desenvolvimento sustentável. Se os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) – negociados a partir da Rio+20 já pareciam distantes de serem alcançados no prazo, o aquecimento global pode distanciar o mundo ainda mais de compromissos como a erradicação da pobreza e da fome, saúde e bem-estar, educação de qualidade, igualdade de gênero, universalização do acesso a água limpa e saneamento, energia acessível e limpa, consumo e produção responsáveis, crescimento econômico sustentável, entre outras metas.

No caso do Brasil, desde 2016 o país vem se distanciando do alcance desses objetivos, especialmente com a adoção do teto de gastos, com o desmonte das políticas ambientais e das políticas públicas com foco na redução das desigualdades sociais. Os dados sobre desmatamentos e queimadas, violência contra povos originários, quilombolas e agricultores familiares e o aumento da pobreza, do desemprego e da fome no país apontam para uma imagem deteriorada que não vai se recuperar com promessas vazias.

* A cobertura da COP26 do Canal MyNews é realizada em parceria com a Vale

 

Acompanhe a cobertura da COP26 do Canal MyNews, com o jornalista Jamil Chade, diretamente de Glasglow, na Escócia

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MTST faz manifestação em frente à mansão de Flávio Bolsonaro https://canalmynews.com.br/politica/mtst-faz-manifestacao-em-frente-a-mansao-de-flavio-bolsonaro/ Sat, 23 Oct 2021 17:29:15 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/mtst-faz-manifestacao-em-frente-a-mansao-de-flavio-bolsonaro/ Objetivo do MTST é chamar atenção para as crescentes taxas de fome, desemprego e inflação no país. Protesto acontece em área nobre de Brasília

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O Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) realiza uma manifestação, na manhã desta quinta-feira (30), em frente ao imóvel do senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), no Lago Sul, região nobre de Brasília. Segundo representantes do ato, o objetivo é chamar a atenção para o aumento das taxas de fome, inflação e desemprego no Brasil.

Há cerca de 300 sem-teto no local. Munidos de cartazes e faixas, os militantes gritam palavras de ordem. “Enquanto o filho do [Jair] Bolsonaro está comprando, de forma no mínimo duvidosa, uma mansão de mais de R$ 6 milhões, o povo brasileiro está na fila do osso, está voltando a cozinhar à lenha por causa do preço do botijão de gás”, afirmou Guilherme Boulos, coordenador nacional do movimento.

Manifestantes do MTST fazem ato em frente ao imóvel de Flávio Bolsonaro.
Manifestantes do MTST fazem ato em frente ao imóvel de Flávio Bolsonaro. Foto: Reprodução (Redes Sociais)

A ação faz parte da campanha “Tá tudo caro, a culpa é do Bolsonaro!”, que teve início no dia 23 de setembro, quando o coletivo invadiu a Bolsa de Valores em São Paulo.

“É por isso que o MTST está fazendo essa manifestação, que dá sequência ao ato que o movimento já havia feito na Bolsa de Valores. A família Bolsonaro não pode ficar assistindo impune o povo morrer de fome enquanto se esconde em suas mansões. Nós não vamos parar”, complementou Boulos.

De acordo com a mais recente pesquisa realizada pela Organização das Nações Unidas (ONU), estima-se que cerca de 23,5% da população brasileira tenha vivenciado situações de insegurança alimentar moderada ou severa entre 2018 e 2020, percentual que representa um crescimento de 5,2% em relação ao último período aferido (2014 a 2016). O número aponta que 49,6 milhões de pessoas, incluindo crianças e adolescentes, deixaram de comer ou tiveram significativa redução na alimentação por falta de dinheiro.

Em estudo realizado pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Penssan), notificou-se que mais da metade dos brasileiros (116,8 milhões) já vivia com algum nível de risco alimentício em 2020.

Mansão de Flávio Bolsonaro fica em área nobre de Brasília

Adquirida por R$ 5,97 milhões, a mansão de Flávio Bolsonaro fica localizada no Setor de Mansões Dom Bosco, Lago Sul, área nobre da cidade, mais especificamente no Condomínio Ouro Branco, local sitiado por imóveis de luxo. Conforme consta na escritura, a residência possui 1.000 m² de área construída e 2.400 m² no total.

A construção tem piscina e paisagismo irrigado artificialmente. Os dois andares são revestidos por pisos de mármore carrara e crema marfil. Com quatro suítes amplas, uma delas com hidromassagem, a casa dispõe ainda de academia, spa com aquecimento solar, espaço gourmet e brinquedoteca.

O filho do presidente alega que os recursos para a compra da mansão vieram da venda de um imóvel e de recursos adquiridos comercialmente em uma loja chocolates. “Eu vendi um imóvel que eu tinha no Rio de Janeiro, eu vendi uma franquia que eu possuía também no Rio e dei entrada em uma casa aqui em Brasília. A maior parte está sendo financiada no banco”, afirmou o parlamentar na época. “Está tudo redondinho, dentro da lei”, finalizou.

Mansão de Flávio Bolsonaro, avaliada em cerca de R$ 6 milhões.
Mansão de Flávio Bolsonaro, avaliada em cerca de R$ 6 milhões. Foto: Reprodução (Redes Sociais)

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Democracia tem relação com redução das desigualdades sociais, aponta Oxfam Brasil https://canalmynews.com.br/politica/relatorio-oxfam-brasil-mostra-como-democracia-tem-relacao-com-reducao-desigualdades-sociais/ Mon, 06 Sep 2021 17:04:49 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/relatorio-oxfam-brasil-mostra-como-democracia-tem-relacao-com-reducao-desigualdades-sociais/ O relatório analisa a relação entre desigualdades e democracia no Brasil, destacando como a adoção de políticas inclusivas e de participação social é importante para a redução dos diversos tipos de desigualdades

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Num período em que tanto se fala sobre a possibilidade de um golpe militar e na véspera de manifestações programadas por todo o país neste 7 de setembro, é importante pensar sobre a democracia e sua consolidação, ao longo de pouco mais de 30 anos da Constituição de 1988 – também chamada de Constituição Cidadã. Elaborada durante o processo de redemocratização, após 25 anos de ditadura militar (1964-1985), a Carta Magna de 1988 restabeleceu a democracia no país e instituiu diversos direitos à população (civis, sociais, trabalhistas, etc), com um compromisso universalidade de direitos e deveres que de fato nunca se completou totalmente. As desigualdades permanecem e a participação popular nas instâncias de decisão e nos mecanismos democráticos na maioria das vezes ainda está restrita a uma elite que mantém o controle do poder, utilizando os mecanismos da democracia para a manutenção do status quo. Apesar de ainda ser um país bastante desigual, relatório da Oxfam Brasil mostra que períodos de ditadura significaram agravamento nas situações de pobreza e desigualdade social.

O relatório “Democracia inacabada: um retrato das desigualdades brasileiras – 2021”, elaborado pela Oxfam Brasil, analisa a relação entre desigualdades e democracia no Brasil, destacando como a adoção de políticas inclusivas e de participação social é importante para a redução dos diversos tipos de desigualdades presentes na sociedade brasileira. Essa discrepância entre o tamanho de diversos segmentos da sociedade e sua participação nas instâncias de decisão é evidenciada por vários dados levantados para o relatório e mostra como mulheres, população negra, indígenas e população LGBTQIA+ têm um espaço restrito, enquanto homens brancos dominam as posições sociais de decisão.

Democracia tem relação com redução das desigualdades sociais
Segundo estudo da Oxfam Brasil, a democracia tem relação direta com a redução das desigualdades sociais/Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

O sistema político-partidário é um dos exemplos. Segundo o relatório, em 2020, apenas 16% das pessoas eleitas vereadoras no Brasil eram mulheres. As mulheres negras – que totalizam 27,8% da população brasileira, ocupam apenas 2,53% das cadeiras na Câmara dos Deputados. “A Oxfam Brasil lança esse relatório anualmente, sempre com um olhar diferente sobre as desigualdades do país. Este ano, nosso foco foi a questão da participação política e o impacto na democracia e como o fato de a gente ter vários grupos subrrepresentados, principalmente os grupos mais impactados pelas desigualdades, pessoas negras e mulheres, por exemplo, a gente não consegue ter políticas públicas para diminuir essas desigualdades”, aponta Jefferson Nascimento, coordenador de Pesquisa e Incidência em Justiça Social e Econômica da Oxfam Brasil.

Debruçados sobre questões sobre condição de renda e períodos de limitação da participação social, os pesquisadores identificaram o aumento da concentração de renda e da desigualdade exatamente em dois períodos em que o Brasil viveu momentos de ditadura. “Olhando desde 1920, a ditadura do Estado Novo (1937-1946) e o Golpe Militar de 1964 foram dois períodos em que a desigualdade e a concentração de renda aumentaram. Foram governos que limitaram a participação social, a representação política (o Estado Novo aboliu o direito ao voto), restringiu a atuação de sindicatos e associações e tudo isso beneficiou uma política econômica para quem já tinha meios para atuar na sociedade”, complementa Jefferson Nacimento.

Com a redemocratização e a promulgação da Constituição de 1988, vários indicadores começaram a apontar para a redução das desigualdades no país, com a construção de políticas públicas que possibilitaram maior inclusão social. O processo de participação incluiu a criação de diversos conselhos consultivos da sociedade e também o fortalecimento de organizações da sociedade civil organizada, possibilitando um modelo de controle social, transparência e incentivando a participação das pessoas. O auge dessa política de participação social aconteceu entre os anos de 2001 e 2010, ressalta o coordenador da Oxfam Brasil, quando foram criados 17 conselhos de participação da sociedade. Outras instâncias consultivas, como conferências para definir políticas públicas e experiências de implementação de orçamento participativo são outros exemplos lembrados pela Oxfam Brasil com diretamente relacionados com a destinação de recursos e com influência na redução das desigualdades.

O relatório aponta que “embora a tradição de conferências nacionais remonte ao início dos anos 1940, sua realização se disseminou após a promulgação da Constituição Federal de 1988, impelida pelos mandatos constitucionais de participação da sociedade civil nas áreas de saúde e assistência social”. Segundo o levantamento, até o ano de 2016, foram realizadas 154 conferências nacionais – das quais 109, entre 1992 e 2016 (74 entre 2003-2010). “No período de 1992 a 2012, 21 foram na área da saúde, 20 sobre pautas de grupos minoritários; seis sobre meio ambiente; 22 sobre Estado, economia e desenvolvimento; 17 sobre educação, cultura, assistência social e esporte; e 11 sobre direitos humanos”, mostra o documento.

Instâncias de participação social foram restringidas com eleição de Bolsonaro

A ascensão de Jair Bolsonaro (sem partido) ao poder, eleito em 2018 e com o governo iniciado em 2019, fez o Brasil retroceder em diversos aspectos em relação à participação da sociedade nas instâncias de decisão do país. Em seu primeiro ano de governo, Bolsonaro pôs fim a todos os conselhos participativos da sociedade civil; entre os quais o Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea) – criado no Governo Itamar Franco (PMDB), em 1993; encerrado em 1995, pelo Governo Fernando Henrique Cardoso (1995) – quando foi substituído pelo Programa Comunidade Solidária; e restaurado em 2004, no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O relatório da Oxfam Brasil aponta que nada menos que 93% dos colegiados participativos ligados à administração federal brasileira foram extintos em 2019; reduzindo, dessa forma, a participação, o controle social e a transparência. O impacto da extinção do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan), por exemplo, é visto como uma influência direta no aumento da fome no Brasil. O Consea teve papel determinante para combater a fome no Brasil e levou o país a sair do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas (ONU), em 2014.

“Bolsonaro assume declarando ataque a sociedade civil e atuando por sua desmobilização. Com seu discurso de por fim a todo ativismo e o fato de ter encerrado todos os conselhos teve um impacto muito grande nas instâncias de participação da sociedade. A extinção do Consea teve grande impacto no sistema de combate à fome, pois era um ambiente de consulta e de elaboração de normativas sobre o assunto. Logo nos primeiros meses percebeu-se o aumento da fome e números recentes falam de 54% da população em situação de insegurança alimentar; 117 milhões de pessoas não se alimentam direito”, destaca Jefferson Nascimento.

Novo Código Eleitoral pode restringir participação de diversos grupos sociais no processo eleitoral
Novo Código Eleitoral pode restringir participação de diversos grupos sociais no processo eleitoral/Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Novo código eleitoral pode prejudicar atuação das minorias na democracia brasileira

O relatório da Oxfam Brasil destaca que o atual sistema político brasileiro privilegia a eleição de parlamentares homens e brancos. A situação pode se tornar mais crítica em relação à restrição participativa de diversos segmentos da sociedade na política brasileira, se o Novo Código Eleitoral – previsto para começar a ser votado na Câmara dos Deputados a partir desta quarta (08), for aprovado da forma como está proposto.

A professora de Ciência Política da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre a Mulher (Nepem), Marlise Matos, ressalta como os debates de questões importantes para a participação política da sociedade têm sido debatidos de forma apressada e pouco democrática no Congresso Nacional. Depois da proposta de Reforma Política – que acabou sendo votada de forma inusitada e sem programação prévia, numa sessão confusa, em que os parlamentares acabaram aprovando a volta das coligações partidárias para os cargos legislativos, a discussão do Novo Código Eleitoral tornou-se uma preocupação urgente.

“É muito grave o que estamos vivendo. Existe um cenário de corrosão da democracia; concreto, não é teórico. No caso da votação da reforma política, o fato de a votação ser antecipada de forma repentina é grave. É um debate estrutural e as pessoas têm que se preparar para debater um assunto que pode promover uma uma mudança radical do sistema eleitoral brasileiro”, ressalta a cientista política.

Ela continua lembrando que a estratégia de antecipar votações e mudar a ordem do debate tem sido recorrente na gestão do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL). “No caso do Novo Código Eleitoral, são 902 artigos com assuntos muito importantes, como a federação de partidos, proposta de que o controle e a fiscalização de contas dos partidos sejam feitos por empresas privadas e não pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), fim da possibilidade de candidaturas coletivas, entre outras medidas que na prática pretendem tirar o poder do TSE e a autonomia do poder judiciário sobre o processo eleitoral do país”, destaca Marlise Matos.

Para ter validade para as eleições de 2022, as medidas precisam ser aprovadas na Câmara e no Senado até outubro deste ano – o que torna a velocidade para a aprovação mais um fator de restrição do debate sobre assuntos importantes e diretamente relacionados com a consolidação da democracia. “Os grupos diretamente afetados com essas medidas são as minorias. Levar adiante a votação de temas importantes sem debater com a sociedade acaba corroendo as instituições da democracia, desconstruindo a participação política como um projeto continuado. Tudo votado muito rápido para que a gente não consiga acompanhar”, complementa a professora da UFMG.

Jefferson Nascimento concorda com a cientista política Marlise Matos e destaca que entre os mais de 900 artigos do Novo Código Eleitoral constam desde propostas de mudança do nome da Câmara dos Deputados a alterações sobre a realização e divulgação de pesquisas eleitorais, passando por diversas propostas de redução do poder do TSE.

“Todo o pacote de propostas está avançando por meio de atalhos e tem sido acelerado sem debates para ser votado até outubro, num processo totalmente ‘torto’. Uma das propostas é reduzir as punições aos partidos que descumprirem a legislação. Trata desde questões como a realização de comícios no dia da eleição, sobre carros de som em frente às seções eleitorais e também sobre a questão do ‘Caixa 2’. Além disso, tem algumas ‘pegadinhas’ como uma nova divisão de recursos para candidaturas de pessoas negras e mulheres”, complementa o coordenador da Oxfam Brasil, destacando que essa redução no debate, agravado pela situação de pandemia do Covid-19, tem afetado diversas discussões atualmente e interferido diretamente na participação da sociedade no processo democrático brasileiro.


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O Brasil e a fome https://canalmynews.com.br/herminio-bernardo/o-brasil-e-a-fome/ Sat, 28 Aug 2021 14:25:45 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/o-brasil-e-a-fome/ Milhões de brasileiros passam fome enquanto os preços disparam

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Mais de 10 milhões de brasileiros passam fome. Houve um aumento 3 milhões de pessoas em cinco anos. Dados do IBGE apontam que as famílias sem acesso à alimentação básica regular teriam que usar 85% a mais do que efetivamente gastam para comprar alimentos.

E o número de pessoas com fome certamente é maior. Isso porque a pesquisa do IBGE considera apenas pessoas com residência fixa, ou seja, exclui pessoas em situação de rua.

Moradores em situação de rua fazem fila para conseguir uma marmita em São Paulo. Foto: Jorge Araujo/Fotos Publicas

Do início da pandemia pra cá (só pra constar, a pandemia não acabou), a inflação disparou junto com o desemprego no Brasil.

São quase 15 milhões de brasileiros desempregados. O nível de ocupação caiu para 48,9%. Portanto, menos da metade da população que poderia trabalhar tem emprego. Já o nível de ocupação ficou em 48,9%. O IBGE destacou que este indicador está abaixo de 50% desde o trimestre terminado em maio do ano passado, o que indica que menos da metade da população em idade para trabalhar está ocupada no mercado de trabalho. Além disso, quase 35 milhões trabalham na informalidade.

O número de desempregados não inclui os 5,7 milhões de desalentados, pessoas que simplesmente desistiram de procurar emprego.

Com este cenário, a inflação acumulada nos últimos 12 meses está perto de 9%. O preço da carne subiu 34%, do arroz 40%, frango 20% e o óleo de soja 84%. Todos itens básicos para a alimentação. A cesta básica já custa mais da metade do valor do salário mínimo, de acordo com o Dieese.

Sem falar do aumento de outros elementos que influenciam no preço dos alimentos, como os combustíveis que subiram mais de 40% e a energia elétrica que disparou e aumentará ainda mais em setembro. A inflação acaba sendo mais impactante na renda das pessoas mais pobres.

Para o presidente Jair Bolsonaro, é “idiota” quem diz que precisa comprar feijão. Para o presidente, “tem que todo mundo comprar fuzil”. Já o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que o preço na energia vai aumentar e “não adianta ficar sentado chorando”. A declaração foi feita após Guedes questionar qual seria o problema de “a energia vai ficar um pouco mais cara”.

O problema é a sobrevivência e a população precisa comer para sobreviver.

Um dos maiores exemplos a literatura está na obra “Vidas Secas”. O romance de Graciliano Ramos conta a história de uma família de retirantes nordestinos que fogem da seca. Quem leu, certamente não se esquece da cachorra baleia e de Fabiano, que se vê como um bicho.

“Na planície avermelhada os juazeiros alargavam duas manchas verdes. Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos. Ordinariamente andavam pouco, mas como haviam repousado bastante na areia do rio seco, a viagem progredira bem três léguas. Fazia horas que procuravam uma sombra.”

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Fome na pandemia atinge fundamentalmente as crianças, alerta pesquisador https://canalmynews.com.br/mais/fome-pandemia-atinge-criancas-alerta-pesquisador/ Fri, 27 Aug 2021 02:24:12 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/fome-pandemia-atinge-criancas-alerta-pesquisador/ Aumento da pobreza e do desemprego, com alimentos mais caros, agravam a fome no país. Economista alerta para consequências mais graves entre as crianças

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O ano de 2020 terminou com 19 milhões de brasileiros passando fome, enquanto mais da metade das casas do país vivia com algum grau de insegurança alimentar – situação que acontece quando não há possibilidade de alimentação em qualidade ou quantidade suficientes. O quadro, agravado pela pandemia do Covid-19, foi revelado por pesquisa nacional da Rede Penssan, a Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar.

O fenômeno atinge fundamentalmente as crianças, alerta Nilson de Paula, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e pesquisador da Penssan. “O efeito da fome para uma criança é muito mais preocupante do que para um adulto. Porque a criança está em processo de formação. Então, as consequências disso vão se perpetuar, vão comprometer a própria estrutura física, a estrutura emocional e mental”, explica o economista.

No caso das crianças, o panorama da fome foi agravado no período em que as escolas permaneceram fechadas. Esse é o caso de Juliana Alves, mãe e dona de casa, de 32 anos. Em entrevista ao “Geração Covid – O impacto da pandemia na primeira infância”, ela contou que, sem as escolas, onde os filhos realizavam as principais refeições do dia, ela passou a ter dificuldades para alimentá-los.

Juliana Alves se preocupa com os filhos durante a pandemia
Vivendo do Bolsa Família e do Auxílio Emergencial, Juliana Alves se angustia pela situação de insegurança alimentar da família. Com a pandemia e o fechamento das escolas, a situação se agravou/Foto: Cristiano Fukuyama

“Quando eles estão em casa o dia inteiro, eu faço dois quilos de arroz por dia e um de feijão. A mistura, quando tem, é um pedaço para cada um. Não tem esse negócio de dizer ‘posso repetir a mistura?’ Porque quando eles passam o dia fora de casa, na escola, a gente consegue oferecer um pouco melhor na última refeição, que no caso vem pra casa. Mas quando eles estão em casa, eles comem o que a gente pode proporcionar”, explica.

Com seis filhos e desempregada, Juliana vive desde o início da pandemia com os recursos do auxílio emergencial e do Bolsa Família, que são insuficientes para todas as despesas. “Se não fosse as pessoas de bom coração a gente não tinha sobrevivido”, conta ela.

Ela conta que o preço inflacionado durante a pandemia também agravou a situação. “Sabe o que é você falar pro seu filho não sair de casa? Você pegar dez reais e escolher o pão ou o leite? Ou a mistura ou um álcool?”, diz. Em 12 meses, a inflação no país acumula alta de 8,99%, segundo o IPCA, medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Alguns alimentos, no entanto, encareceram bem mais. Esse é o caso do arroz (39%), do tomate (42%) e das carnes (34%).

Enquanto os preços sobem, os dados de desemprego permanecem altos. Segundo a última pesquisa Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) do IBGE, o país tinha 14,8 milhões de desempregados, patamar ligeiramente menor que o recorde de desemprego no país atingido nos trimestres encerrados em março e abril.

Nilson Maciel destaca que o fenômeno da fome anda de mãos dadas com a pobreza. O empobrecimento da população tem como uma das suas consequências mais imediatas o agravamento insegurança alimentar”, afirma.

Documentário Geração Covid-19

O documentário “Geração Covid – Impacto da pandemia na primeira infância”, obra dirigida pela jornalista Juliana Causin, está disponível no Canal MyNews. Em formato de reportagem especial, expõe os impactos da crise sanitária sobre a estrutura social brasileira, evidenciando as principais adversidades que influenciam no desenvolvimento das crianças. Com apoio do Dart Center for Journalism and Trauma, centro de estudos para jornalistas da Columbia University, Juliana Causin traçou um roteiro que demonstra como, em pouco mais de um ano, a pandemia afetou a primeira infância, investigando ainda as possíveis consequências socioeconômicas desse crítico cenário nacional.

Assista ao documentário Geração Covid – O impacto da pandemia na primeira infância, no Canal MyNews

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Douglas Belchior: “Campanhas são hoje principal ação de enfrentamento à fome e à miséria” https://canalmynews.com.br/economia/douglas-belchior-campanhas-sao-hoje-principal-acao-de-enfrentamento-a-fome-e-a-miseria/ Thu, 22 Apr 2021 13:27:11 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/douglas-belchior-campanhas-sao-hoje-principal-acao-de-enfrentamento-a-fome-e-a-miseria/ Porta-voz da campanha #TemGenteComFome alerta para “panela de pressão” social com agravamento da fome. “Aumenta a pobreza, a desigualdade, a violência e a revolta”, diz

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A pandemia e o aumento da miséria e da fome tem criado uma “panela de pressão” social no Brasil. O alerta é de Douglas Belchior, fundador da UNEafro Brasil, integrante da Coalizão Negra por Direitos e porta-voz da campanha #TemGenteComFome. 

Em entrevista ao Dinheiro Na Conta, Belchior avalia que políticas públicas de enfrentamento a miséria tem sido enfraquecidas no país desde 2016. Na pandemia, sob governo de Jair Bolsonaro (sem partido), o trabalho de combate à fome e à miséria tem sido feito por organizações civis. “As campanhas são hoje a principal ação de enfrentamento à fome e à miséria”, diz. 

Criada há um mês, a campanha “Tem Gente Com Fome” já arrecadou mais de R$ 7 milhões de reais e ajudou 30 mil famílias no país. A ação é liderada pela Coalização Negra por Direitos e tem objetivo de chegar a 222.895 famílias mapeadas em todo os estados e no Distrito Federal. 

“A população periférica e a população negra são o maior contigente entre aqueles que dependem do trabalho informal, que foi o mais atingido pela pandemia.  Se as pessoas não podem trabalhar, vai faltar comida no dia seguinte”, afirma Belchior.  

Ao fim de 2020, segundo dados da Rede Penssan, ao menos 19 milhões de brasileiros estavam passando fome no país  e mais da metade das famílias tinham algum nível de insegurança alimentar.  Para o educador e ativista, o agravamento da fome cria uma cenário de “panela de pressão” e um clico em que “aumenta a pobreza, aumenta a desigualdade, aumenta a violência e aumenta a revolta”. 

“É uma panela de pressão e que vai fazer mal e vai gerar uma possiblidade de realidade muito difícil para todo mundo. Para quem tem e para quem não tem”, diz. 

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Fome atinge 19 milhões de brasileiros na pandemia, aponta pesquisa https://canalmynews.com.br/economia/fome-atinge-19-milhoes-de-brasileiros-na-pandemia-aponta-pesquisa/ Wed, 07 Apr 2021 13:50:33 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/fome-atinge-19-milhoes-de-brasileiros-na-pandemia-aponta-pesquisa/ Norte e Nordeste do país são as regiões mais afetadas pela fome, segundo estudo da Rede Penssan

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O Brasil encerrou o ano de 2020 com 19 milhões de brasileiros atingidos pela fome. A informação é de um estudo da Rede Penssan (Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional) publicado nesta segunda-feira (05).

Ao todo, 116,8 milhões de pessoas conviveram no ano passado com algum nível de insegurança alimentar – ou seja, não se alimentaram com qualidade ou em quantidade suficiente

A pesquisa mostra que no último trimestre de 2020, 9% da população passava fome, enquanto 11,5% viviam em situação de insegurança alimentar moderada. Os níveis estão próximos aos de 2004, quando a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE, mostrava  o primeiro indicador em 9,5% e o segundo, em 12%. 

“Nós temos a pandemia e nós temos a tragédia da fome que é uma outra pandemia. Nós temos uma sobreposição de epidemias no Brasil. Isso vai afetar não só essas pessoas, mas as gerações futuras”, avalia o economista Nilson Maciel de Paula, professor da UFPR e pesquisador da Rede PENSSAN. 

Em entrevista ao Dinheiro Na Conta, ele explica que o agravamento da fome e da insegurança alimentar vinham acontecendo no país pelo menos desde 2015. A pandemia, no entanto, intensificou esse processo.  “Quando você tem essa tragédia afetando uma sociedade já carcomida pela desigualdade, porque seu tecido social já está comprometido, aí nós estamos falando de uma dinâmica social que já é frustante”, explica. 

O estudo foi feito entre os dias 5 e 24 de dezembro de 2020, em 2.180 domicílios brasileiros nas cinco regiões do Brasil. Os dados mostram que no Norte e Nordeste, a situação é ainda pior. Na região Norte, o índice de pessoas com fome sobe para 18,1%, enquanto no Nordeste, a porcentagem é de 13,8%. No Sul e Sudeste, esse número cai para 6%.

Em todo o país, famílias chefiadas por mulheres e pessoas negras são as mais afetadas pela alimentação precária ou pela falta de comida. Dos lares chefiados por mulheres, a fome atinge 11,2%. No caso dos homens, a taxa cai para 7,7%.

 Quando o domicílio tem como referência uma pessoa negra, a fome chega a 10,7% das famílias —  proporção que cai para 7,5% no caso de casas chefiadas por pessoas brancas. “Essas são as condições de vida que a sociedade brasileira de certa forma normalizou”, dia Nilson. 

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