Desculpas de Araújo para termo “comunavírus” não são válidas, diz professor da USP Ernesto Araújo na CPI da Pandemia. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado Diplomacia

Desculpas de Araújo para termo “comunavírus” não são válidas, diz professor da USP

Felipe Loureiro acredita que o argumento apresentado pelo ex-ministro não o exime de ataque contra Pequim

00:00
  • Ernesto Araújo, ex‑ministro das Relações Exteriores, declarou na CPI da Pandemia, em 18 de outubro, que “comunavírus” não foi ataque à China.
  • O professor Felipe Loureiro, da USP, considerou a justificativa de Araújo inválida.
  • Araújo alegou que o termo serviu apenas para discutir um argumento de Slavoj Žižek e que não gerou atrito com Pequim.
  • Loureiro afirmou que a fala ainda foi vista como crítica à China e à OMS e que Araújo não atuou para garantir insumos chineses na pandemia.

A tentativa de Ernesto Araújo de afirmar na CPI da Pandemia nesta terça-feira (18) que a expressão “comunavírus” não foi um ataque contra a China é inválida, acredita o professor da Universidade de São Paulo (USP) Felipe Loureiro.

O ex-ministro das Relações Exteriores disse que o termo foi usado para debater um argumento do filósofo Slavoj Žižek, e não para atacar o principal parceiro comercial do Brasil. Araújo também afirmou que nunca promoveu “nenhum atrito” com Pequim.

“Mesmo que ele tenha escapado dando essa desculpa de que ele está na verdade interpretando um texto de um autor de esquerda, que diz discutir a academia, a forma como ele faz referência à China e a forma como ele faz referência à OMS, isso é compreendido como críticas feitas a Pequim e a Organização Mundial da Saúde”, analisa Loureiro em entrevista ao MyNews.

Ainda de acordo com o professor do Instituto de Relações Internacionais da USP, Araújo também demonstrou que “se calou” e nada fez para garantir que insumos para enfrentar a pandemia de covid-19 viessem da China para o Brasil.

Relacionados