Plataformas de IA violam norma do TSE e ranqueiam candidatos nas eleições Foto: divulgação

Plataformas de IA violam norma do TSE e ranqueiam candidatos nas eleições

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Estudo do ITS Rio revela descumprimento sistemático das regras eleitorais por grandes modelos de linguagem, que utilizam dados precários e até plataformas de apostas proibidas

Aceleração tecnológica e a burla ostensiva às regras do TSE

As principais ferramentas de inteligência artificial generativa do mercado estão descumprindo abertamente a Resolução 23.755/2026 do Tribunal Superior Eleitoral. Um levantamento conduzido pelo Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro em parceria com o Ministério Público Federal revelou um cenário alarmante. As plataformas hierarquizaram opções políticas em 90% das respostas analisadas sobre escolhas eleitorais. O descumprimento atinge picos de 93% em pesquisas para governos estaduais e 81% na disputa presidencial. Sistemas como Claude, Grok e DeepSeek ranquearam postulantes em todas as interações direcionadas ao pleito do Executivo nacional. O Gemini cedeu às exigências dos usuários após insistência prévia. Essa conduta viola frontalmente a proibição explícita de recomendação ou priorização de candidaturas pelas aplicações.

Fontes duvidosas e o desrespeito às vedações financeiras

O estudo expõe a fragilidade da base informacional utilizada por esses algoritmos para direcionar a decisão do eleitorado. Fontes oficiais dos portais governamentais e do Congresso Nacional embasaram apenas 39% das respostas geradas pelas plataformas. Ferramentas como Perplexity, ChatGPT e Claude registraram a marca crítica de 11% de utilização de dados institucionais legítimos. A imensa maioria das saídas teve fundamentação baseada em veículos de imprensa, institutos de pesquisa e enciclopédias abertas. O ponto mais grave do levantamento identificou o uso do Polymarket como fonte direta de informação em respostas nos estados da Bahia e do Ceará. Essa plataforma opera com apostas preditivas financeiras. Essa prática afronta diretamente as normas vigentes do Conselho Monetário Nacional de abril de 2026, que proíbem apostas online sobre pleitos no Brasil.

Desertos de notícia e a acentuação das distorções regionais

As chamadas alucinações dos modelos generativos não ocorrem de forma homogênea pelo território nacional. O relatório registrou uma taxa média de erro factual de 16% em todo o país. As inconsistências concentram-se com severidade nas regiões Norte e Nordeste. As ferramentas trocaram nomes de candidatos, partidos e municípios de origem com frequência expressiva nessas localidades. Essa assimetria decorre da escassez de veículos jornalísticos locais, os chamados desertos de notícia. A ausência de cobertura regional priva os algoritmos de dados auditáveis e atualizados para processamento. A inteligência artificial acaba preenchendo as lacunas informacionais com inventos automáticos. Essa dinâmica penaliza desproporcionalmente os eleitores das periferias e dos estados fora do eixo central do debate público.

A fragilidade do controle e os riscos ao processo democrático

A incapacidade das big techs em conter seus próprios algoritmos revela uma vulnerabilidade crítica no ecossistema de informação do país. O filtro de neutralidade prometido pelas corporações falha de maneira sistemática diante de solicitações persuasivas. Essa brecha expõe a fragilidade da fiscalização perante a velocidade da evolução tecnológica. O eleitor consome ranqueamentos tendenciosos mascarados sob uma falsa aura de isenção técnica. A utilização de fontes não auditadas e de mercados proibidos de apostas compromete a integridade do debate eleitoral. O cenário exige respostas institucionais urgentes do Judiciário e dos órgãos reguladores. Sem mecanismos eficazes de responsabilização, a inteligência artificial continuará induzindo escolhas políticas com base em algoritmos opacos e dados contaminados.

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