Foto: Gazeta do Povo
A corrosão da renda da população e o sufocamento de quem tenta empreender revelam o verdadeiro custo do descalabro das contas públicas no Brasil
O governo brasileiro arrecada volumes recordes em tributos, mas permanece afundado no déficit público. A dívida bruta saltou de 71% para 81% do PIB em um curto período, criando um ciclo contínuo de endividamento. Para captar recursos e cobrir a gastança descontrolada, a máquina estatal precisa oferecer retornos mais altos aos investidores. Essa necessidade empurra os juros básicos para patamares elevados, gerando um custo pesado para quem necessita de crédito no país.
O cenário econômico enfrenta o fenômeno batizado de “política econômica punta-taco”, onde as forças governamentais atuam em sentidos opostos. De um lado, o Banco Central tenta segurar a inflação pisando no freio e encarecendo o dinheiro com juros altos. Do outro lado, o próprio governo acelera os gastos públicos, estimulando a demanda sem contrapartida de responsabilidade fiscal. Esse desalinhamento desorganizador puni duramente o cidadão comum no momento de fazer compras ou financiar bens básicos.
O setor produtivo, em especial o de serviços e alimentação fora do lar, paga uma conta alta por essa desarticulação. Proprietários de pequenos negócios lidam com a disparada no preço das matérias-primas e a incapacidade de repassar custos ao consumidor. Pressionados pela perda de poder de compra dos clientes e pelo endividamento, muitos pequenos empresários passam a atrasar obrigações tributárias. Em vez de apoio, eles encontram uma cobrança implacável de um Estado burocrático e punitivo.
A falta de liberdade econômica no país empurra milhares de trabalhadores e empreendedores para a informalidade diária. O excesso de normas, regras trabalhistas complexas e impostos pesados funcionam como barreiras para a formalização das atividades. Enquanto grandes corporações usam corpos jurídicos para navegar na burocracia estatal, os pequenos negócios sucumbem aos custos operacionais. O país falha em criar um ambiente inclusivo e próspero, atrasando a melhoria do padrão de vida da sociedade.