Deputado Nikolas Ferreira. Foto: Câmara dos Deputados
ALMOÇO DO MYNEWS
Decisão do juiz Jair Francisco dos Santos retirou do ar reportagem que revelou mensagens e áudios sobre a relação entre o deputado e o banqueiro; jornalista recorre e contesta justificativa usada para a censura
A Justiça Eleitoral de Minas Gerais determinou a suspensão de uma reportagem da jornalista Juliana Dal Piva sobre mensagens e áudios envolvendo o deputado federal Nikolas Ferreira e o banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo Dal Piva, o material mostra uma relação que ela classificou como de subserviência entre o parlamentar e o banqueiro, além de apresentar uma conversa na qual Nikolas aparece intermediando, a pedido de Vorcaro, uma negociação envolvendo um ativo minerário. A jornalista também citou uma mensagem na qual Vorcaro afirma ter custeado voos do deputado. A reportagem reúne mensagens, áudios e informações relacionadas às investigações sobre o celular de Vorcaro.
A decisão foi assinada pelo juiz Jair Francisco dos Santos, da Justiça Eleitoral de Minas Gerais. Segundo Dal Piva, o magistrado se baseou, entre outros pontos, no uso do termo “lindão” em uma das mensagens atribuídas a Nikolas, o que a jornalista contestou. Ela afirmou que a expressão não configura ofensa e criticou a suspensão de uma reportagem inteira por causa de uma única palavra. Dal Piva também ressaltou que Nikolas não nega ter enviado o áudio a Vorcaro nem contesta a integridade da gravação, mas questiona o termo utilizado. Os advogados responsáveis pelo caso já apresentaram recurso ao Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais para tentar derrubar a decisão.
Durante a entrevista, Dal Piva também afirmou que, após a publicação da reportagem, Nikolas divulgou nas redes sociais um suposto laudo da Polícia Federal segundo o qual ele não teria cometido crime. De acordo com a jornalista, a Polícia Federal negou a autenticidade do documento, enquanto uma checagem realizada posteriormente identificou, por meio de ferramentas da Anthropic, que o arquivo teria sido produzido com o ChatGPT. Dal Piva criticou o episódio e classificou a suspensão da reportagem como censura, afirmando que espera reverter a decisão ainda nesta semana. Segundo ela, caso seja necessário, os advogados poderão levar a discussão a instâncias superiores.