São Paulo, São Paulo, Brasil. Foto: Pexels
papo de imóvel
Proposta de redução para 40 horas semanais e fim da escala 6×1 pode encarecer obras em pelo menos 6% e impactar os preços dos imóveis
A proposta de redução da jornada semanal de trabalho, acompanhada do fim da escala 6×1, promete gerar impactos no setor da construção civil no Brasil. Segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o setor precisaria contratar mais de 288 mil novos trabalhadores com carteira assinada para manter o nível atual de atividade. O Senado adiou a votação do projeto para depois das eleições. Consequentemente, o mercado ganhou tempo para debater a mudança.
O entrave apontado pelas entidades do setor é a escassez de mão de obra qualificada para suprir essa nova demanda. Atualmente, com cerca de 2,88 milhões de empregados formais, o mercado já enfrenta dificuldades de recrutamento. O cenário é agravado por uma massa expressiva de aproximadamente 5 milhões de pessoas atuando na informalidade, grupo que fica fora dos cálculos estatísticos oficiais e expõe a fragilidade das contratações no país.
Além da falta de pessoal, a medida trará custos elevados para as construtoras. A CBIC estima que o custo da mão de obra subirá até 15%. Desse modo, o valor total das obras deve aumentar pelo menos 6%. Essa alta afeta principalmente a habitação popular, onde os operários representam até 60% dos gastos. Por causa disso, o valor dos imóveis pode subir bastante.
Diante do quadro de incertezas, a CBIC defende que a implementação da medida seja acompanhada por um período de transição bem estruturado, envolvendo negociações entre empresas, trabalhadores e o poder público. Embora o ganho de produtividade ajude a amenizar os efeitos, essa evolução exige treinamento e tempo. Enquanto o Congresso debate o tema, as construtoras planejam os próximos passos para evitar prejuízos e manter os investimentos.