Foto: Governo de Rondônia
Mercado reduz prêmio de risco e aposta em possível avanço fiscal, mas mantém cautela à espera de medidas concretas no segundo turno
J.P. Morgan, Morgan Stanley e Citi elevaram a visão sobre os ativos brasileiros após o resultado do primeiro turno, que colocou Flávio Bolsonaro (PL) à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O movimento ocorre após o Ibovespa superar os 205 mil pontos e registrar forte valorização, refletindo a percepção de redução da incerteza política e de um possível avanço na agenda fiscal. O J.P. Morgan passou a recomendar exposição acima da média às ações brasileiras, enquanto o Morgan Stanley revisou sua indicação para compra e vê espaço para o índice chegar aos 250 mil pontos.
Apesar do otimismo, investidores ainda concedem um “benefício da dúvida” a Flávio Bolsonaro sobre sua capacidade de promover uma reforma fiscal estrutural. A expectativa está concentrada em propostas de redução de gastos, enxugamento da máquina pública e medidas capazes de conter a trajetória da dívida. A equipe econômica do candidato estuda uma proposta para cortar cerca de R$ 300 bilhões em despesas, mas o mercado avalia que medidas dessa magnitude exigiriam decisões impopulares e ainda não há clareza sobre como seriam implementadas.
Por isso, o avanço dos ativos brasileiros é tratado como uma alocação ainda tática por parte dos investidores estrangeiros. A manutenção do movimento dependerá da composição da equipe econômica e das medidas apresentadas após o segundo turno. Caso as ações do próximo governo se limitem a cortes administrativos e ajustes pontuais, sem enfrentar de forma mais ampla o crescimento dos gastos obrigatórios, o mercado pode retirar rapidamente o benefício da dúvida e voltar a exigir um prêmio de risco maior para os ativos brasileiros.