Foto: Ricardo Stuckert e Vittor Sales
Primeiro levantamento do instituto após a votação do 1º turno mostra equilíbrio acirrado entre os candidatos na disputa presidencial
A primeira pesquisa do Datafolha para o segundo turno da eleição presidencial revela um cenário de alta tensão e equilíbrio. O levantamento aponta o candidato Flávio Bolsonaro (PL) com 49% das intenções de voto, contra 45% do presidente e candidato à reeleição Lula (PT). Como a margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, os dados indicam um empate técnico no limite. Considerando apenas os votos válidos, o placar marca 52% contra 48%.
Em análise no Café do MyNews, Mara Luquet e Evandro Éboli apontaram que a divulgação dos números trouxe alívio moderado ao Palácio do Planalto. Havia o receio de que a desvantagem em relação ao primeiro turno fosse maior após o encerramento das urnas. Por isso, articuladores governistas entendem que a disputa continua aberta.
Além disso, analistas apontam o risco do clima de “já ganhou” no entorno de Flávio Bolsonaro. O favoritismo nas pesquisas pode levar a erros de postura. Como resultado, declarações controversas sobre reformas constitucionais e recusas em participar de debates tendem a comprometer essa vantagem inicial.
Por outro lado, o levantamento mediu os índices de rejeição entre o eleitorado. Segundo o instituto, 46% dos entrevistados afirmam que não votariam em Lula de jeito nenhum. Em contrapartida, 43% descartam votar em Flávio Bolsonaro.
Nesse contexto, cerca de 25% dos eleitores de Flávio declaram que o voto busca prioritariamente a derrota do PT. Por essa razão, a busca pelos votos de candidatos derrotados no primeiro turno tornou-se vital. Movimentações recentes, como declarações de apoio de nomes da “terceira via” e articulações de bancadas estaduais, mostram a pressa das campanhas na consolidação de alianças.
Ademais, a avaliação do governo segue como elemento determinante para o voto de indecisos e nulos. A aprovação da gestão Lula registra 35% de avaliação positiva, enquanto a reprovação atinge 40%.
Entretanto, com poucos dias até o pleito e um número reduzido de indecisos, a margem de manobra é estreita. Consequentemente, o cancelamento de confrontos diretos na televisão transfere a batalha decisiva para as redes sociais e agendas de rua.
Por fim, o cenário indica que pequenos deslizes ou mobilizações cirúrgicas de militância poderão definir o vencedor do pleito presidencial.