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Especialista analisa a ata do FOMC, avalia a volatilidade da bolsa brasileira e a forte concorrência da renda fixa
A sinalização de novas altas nas taxas de juros nos Estados Unidos pelo Federal Reserve acendeu o alerta nos mercados mundiais. Segundo Josias Bento, especialista da GT Capital, esse movimento do Banco Central americano gera apreensão global e eleva os rendimentos dos Treasuries.
Por isso, essa alta nos títulos públicos atrai o capital internacional e penaliza economias emergentes como o Brasil, reduzindo o fluxo de investimentos. Além disso, o encarecimento dos combustíveis nos EUA eleva a inflação e afeta o custo de vida do consumidor americano. Assim, esse impacto econômico ganha contornos políticos na corrida eleitoral, levando a propostas como a de Donald Trump de zerar impostos sobre combustíveis.
No Brasil, após o primeiro turno fazer o Ibovespa saltar para 209 mil pontos, a bolsa passa por uma realização de lucros. No entanto, Bento destaca que a sustentação da bolsa depende fortemente do investidor estrangeiro, responsável por cerca de 57% do volume da B3. Assim, sem essa entrada de recursos gringos e diante da escassez de IPOs nos últimos cinco anos, os fundos locais não conseguem segurar altas isoladamente.
Além disso, o fechamento da curva de juros futuros fortalece a atratividade da renda fixa, especialmente dos títulos públicos indexados à inflação (IPCA+). Portanto, investidores que venderam papéis antecipadamente obtiveram lucros expressivos via marcação a mercado, tornando a renda fixa uma concorrente direta das ações.