Foto: Antônio Augusto/TSE
Cientista político Jairo Nicolau diz que os mais de 33 milhões de eleitores ausentes no primeiro turno têm perfis e motivos distintos, incluindo problemas de saúde, viagens e dificuldades de acesso às urnas
Mais de 33 milhões de brasileiros não votaram no primeiro turno das eleições de 2026. A abstenção chegou a 21,08% do eleitorado, o maior índice desde 1998. Para o cientista político Jairo Nicolau, da Fundação Getulio Vargas (FGV), o número não significa necessariamente desinteresse pela política. Segundo ele, os eleitores têm diferentes motivos para faltar às urnas.
Uma pesquisa Datafolha identificou as principais razões para a ausência. Viagens lideram a lista, com 19%, seguidas por problemas de saúde (18%), desinteresse (13%) e trabalho (9%). Nicolau também destaca a participação de jovens de 18 a 29 anos e de pessoas com 70 anos ou mais entre os grupos de eleitores ausentes.
O pesquisador afirma que a falta de levantamentos específicos dificulta a compreensão desse cenário. Ele também observa que a multa baixa e a facilidade para justificar a ausência reduzem o efeito prático da obrigatoriedade do voto. Para Nicolau, entender os diferentes motivos da abstenção é essencial para evitar que o eleitor ausente seja visto automaticamente como alguém que rejeita a política ou os candidatos.