Crédito da foto: Globo/ Manoella Mello
Senador teve mais direitos de respostas concedidos e negados
Lula (PT), candidato à reeleição para presidente da República, e Flávio Bolsonaro, atual senador e candidato pelo PL, tiveram, nesta sexta-feira (23), seu segundo e último embate antes das eleições presidenciais do segundo turno deste domingo, em todo o Brasil. Em uma disputa com muitos ataques, o candidato do PL teve mais direitos de resposta concedidos do que o petista.
Ao todo, Flávio Bolsonaro obteve três direitos de resposta por ter sido chamado de miliciano, além de registrar outras 11 tentativas barradas pela direção do programa. Como foram negadas, não foram detalhadas. Em determinado bloco, o candidato, filho de Jair Bolsonaro, teve cinco pedidos negados pela equipe da Globo. Já Lula utilizou seu único direito de resposta para se defender após se sentir ofendido ao ser chamado de “nove dedos”.
“Eu vou utilizar o direito de resposta para dizer ao meu adversário que eu a vida inteira vivi num mundo de trabalho. E eu tenho consciência de que ainda falta muita coisa a ser feita nesse país. Muita! Porque este país é um país que peca. O mundo inteiro teve universidade, primeiro que o Brasil. O Brasil só vai ter a primeira universidade 420 anos depois da descoberta. Então, quem tem que pedir desculpas ao Brasil é a elite brasileira”, disse Lula, que recebeu aplausos de seus apoiadores na plateia da Rede Globo.
A fala de Flávio Bolsonaro ocorreu quando ele foi questionado sobre não saber algo relacionado ao salário.
“Não adianta nada você dar um salário mínimo de R$ 1.621 se você dá com uma mão e tira com nove dedos”, disse o senador.
“Não vou permitir que o miliciano me chame de nove dedos”, disse Lula, antes de ter seu único direito de resposta concedido pela emissora.
O parlamentar do PL aproveitou o tempo de câmera para atacar as propostas econômicas do concorrente e apresentar promessas para a proteção animal.
“Bom, nem parece que ele é atual presidente da República, né? É o governo dele que tem que ser questionado. Ele parece que parou no tempo. Infelizmente, o atual presidente da República, as ideias que ele tinha, que eram boas lá atrás, que serviam para resolver os problemas do passado, hoje não funcionam mais. As ideias que funcionavam lá atrás, no início dos anos 2000, hoje, para os problemas que o Brasil tem, são completamente diferentes. As soluções não são mais possíveis.”
“Vocês se associaram a essa gente aqui no interior”, afirmou Lula.
O senador usou o espaço adicional para direcionar o discurso ao voto feminino e detalhar planos de proteção social.
“Eu quero falar especialmente agora pra você, mulher empreendedora. Eu quero ser o presidente pra cuidar de você de verdade. Não apenas te proteger desses agressores covardes, porque, no meu plano de governo, eu vou fazer como começou a acontecer também lá em São Paulo. Eu vou monitorar o marginal que agride uma mulher e eu vou também… Se um marginal chegar perto de você, ele vai ser preso e você não vai ser mais atacada por ele. Eu vou criar a Casa da Mulher Brasileira, onde você vai ser acolhida.”
“Ou a gente manter a democracia funcionando, ou a gente vai ter um miliciano governando esse país”, disse Lula.
O senador negou qualquer investigação formal por ligação criminosa e focou suas propostas na ampliação de penas contra o tráfico de drogas.
“Olha, o candidato aqui insiste em me acusar de crimes que eu nunca cometi. Desde que o Brasil foi descoberto, lá em 1500, eu nunca fui investigado por causa de um movimento com milícia. Isso é coisa da sua cabeça. Isso é coisa de gente que você tá se empreendendo pelo ouvido. Eu vou combater as milícias, eu vou classificar miliciano como organização militar. Um narcoterrorista, ele vai ficar muito mais tempo preso.”