Debate na Globo: Flávio Bolsonaro pede desculpas à mãe de Ana Clara, enquanto Lula critica adversário

Debate na Globo: Flávio Bolsonaro pede desculpas à mãe de Ana Clara, enquanto Lula critica adversário

Candidatos trocam acusações sobre segurança pública, educação, saúde e apostas on-line; senador promete auxílio-creche e manutenção do Pé-de-Meia, enquanto presidente defende escolas em tempo integral

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  • No debate da Globo, realizado nesta sexta‑feira (23), o senador Flávio Bolsonaro pediu desculpas à mãe de Ana Clara Gomes Machado, vítima de tiro em Niterói (RJ) em 2021.
  • Flávio, que integra a defesa do policial Bruno Dias Delaroli acusado de disparar em área residencial, afirmou acreditar na inocência do agente e alegou troca de tiros.
  • Em educação, o senador prometeu manter o programa Pé‑de‑Meia, ampliar o ensino em tempo integral e criar auxílio‑creche para mães sem vagas na rede pública.
  • O presidente Lula declarou que pretende universalizar o ensino em tempo integral até o ensino médio, caso seja reeleito, para reduzir a evasão escolar.

O debate da Globo desta sexta-feira (23) foi marcado por embates entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro, com discussões sobre segurança pública, educação, saúde e endividamento das famílias. Um dos momentos de maior repercussão ocorreu quando Flávio pediu desculpas à mãe de Ana Clara Gomes Machado, menina de cinco anos morta por um tiro de fuzil em Niterói (RJ), em fevereiro de 2021. O senador integrou a equipe de defesa do policial militar Bruno Dias Delaroli, acusado pelo Ministério Público de assumir o risco de matar ao disparar em uma área residencial. Flávio afirmou acreditar na inocência do agente e argumentou que houve troca de tiros. O policial ainda não foi julgado.

Na área da educação, Flávio prometeu manter o programa Pé-de-Meia, destinado a estudantes do ensino médio, ampliar o ensino em tempo integral e criar um auxílio-creche para mães que não conseguirem vagas na rede pública. A proposta prevê o uso do benefício para matricular os filhos em instituições privadas. Lula, por sua vez, afirmou que pretende universalizar o ensino em tempo integral até o ensino médio caso seja reeleito. O presidente disse que a meta é evitar que jovens abandonem os estudos e ampliar as oportunidades educacionais no país.

As apostas on-line também entraram no confronto. Lula acusou Jair Bolsonaro de ter criado o ambiente favorável ao jogo do Tigrinho e provocou Flávio: “Seu pai é o pai do Tigrinho, e você é o irmão”. O presidente relacionou as apostas ao comprometimento da renda das famílias e aos problemas sociais. Ao abordar o endividamento, citou o Desenrola, defendeu medidas para facilitar a renegociação de dívidas e mencionou propostas voltadas aos microempreendedores individuais (MEIs). Lula também afirmou que pretende estimular o empreendedorismo e reativar a economia diante das mudanças no mundo do trabalho.

A segurança pública foi outro dos principais pontos de tensão. Lula criticou a relação de Flávio com figuras ligadas à segurança no Rio de Janeiro, mencionou uma homenagem concedida a um miliciano na Assembleia Legislativa fluminense e citou a presença da mãe da vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018. O presidente acusou o senador de querer transferir a condução de questões de segurança para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em resposta às preocupações com a violência, Lula defendeu a criação de um Ministério da Segurança Pública e resumiu sua proposta com a frase: “Pro trabalhador, segurança; pro bandido, cadeia”.

Na saúde, Flávio afirmou que o Sistema Único de Saúde (SUS) salvou seu pai após o atentado a faca sofrido por Jair Bolsonaro em Juiz de Fora (MG), em 2018, e prometeu investir na rede pública caso seja eleito. O senador criticou as filas para tratamentos de câncer, defendeu a ampliação da capacidade de atendimento e prometeu atualizar a Tabela SUS, que estabelece os valores pagos a hospitais e prestadores de serviços. Também cobrou mais apoio às Santas Casas para reduzir suas dívidas e elogiou a gestão do governador paulista Tarcísio de Freitas na área da saúde. As propostas reforçaram o contraste entre as prioridades apresentadas pelos dois candidatos durante o debate.

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