Almoço Do MyNews
Deputado estadual afirma que mobilização popular deve orientar o novo governo, aponta a força da juventude nas eleições e analisa a transformação da política após a crise de 2008.
A vitória eleitoral não encerra a disputa política. Pelo contrário, abre uma nova discussão sobre quem terá espaço nas decisões e quais vozes serão ouvidas pelo governo. Em entrevista ao Almoço MyNews, no dia 30 de outubro, o deputado estadual Guilherme Cortez (PSOL-SP) defendeu que o governo Lula não pode se afastar das ruas depois de chegar ao poder com a participação de movimentos populares e da mobilização nas redes sociais.
Ao responder quem deve ter mais influência no novo governo, o Centrão ou a mobilização popular, Cortez afirmou que Lula entende que não é possível conquistar apoio nas ruas e nas redes e, depois, governar ignorando esses mesmos movimentos. O deputado reconheceu, entretanto, o peso da correlação de forças no Congresso. Segundo ele, o presidente precisará construir acordos pontuais para isolar o PL, partido que, em sua avaliação, saiu fortalecido do processo eleitoral.
Para Cortez, porém, a capacidade de negociação institucional não deve determinar sozinha os rumos do governo. Na avaliação do parlamentar, as ruas precisam ter voz e participar da construção política do novo mandato. Afinal, foi a mobilização popular que ajudou a produzir o movimento histórico responsável por levar Lula novamente à Presidência.
Essa participação também passa pela juventude. Ao discutir os rumos da política brasileira, o deputado chamou atenção para a presença de jovens entre os candidatos mais votados do país. Ele citou nomes de diferentes campos ideológicos, como Lucas Pavanato, representante da direita, e Jones Manoel, ligado à esquerda, além de sua própria trajetória.
A presença de novos nomes nas urnas, segundo Cortez, não representa apenas uma renovação de idade, mas também uma mudança na maneira de fazer política. Para explicar esse processo, o deputado recuperou os efeitos da crise financeira de 2008 sobre a credibilidade dos partidos tradicionais.
Naquele período, segundo sua análise, as diferenças entre os principais projetos políticos pareciam cada vez menores. PT e PSDB, embora ocupassem posições distintas no espectro partidário, passaram a ser percebidos por parte da sociedade como representantes de uma mesma estrutura política, organizada sob a lógica neoliberal.
Com a crise de 2008, essa percepção começou a se desgastar. Para Cortez, o abalo na confiança nas instituições abriu espaço para novas formas de organização e representação política. Desde então, diferentes gerações passaram a disputar não apenas os cargos, mas também o significado da própria política.
O crescimento de lideranças jovens, tanto à esquerda quanto à direita, revela uma transformação que não se limita às eleições. A disputa agora envolve novas linguagens, identidades e formas de participação. Para o deputado, compreender esse movimento será fundamental para entender os próximos capítulos da política brasileira.