Guilherme Cortez defende que Lula mantenha mobilização popular no centro do governo Almoço Do MyNews

Guilherme Cortez defende que Lula mantenha mobilização popular no centro do governo

Deputado estadual afirma que mobilização popular deve orientar o novo governo, aponta a força da juventude nas eleições e analisa a transformação da política após a crise de 2008.

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  • Deputado Guilherme Cortez afirma que a política precisa sair dos gabinetes e ter protagonismo nas ruas no novo governo de Lula.
  • Ele afirma que Lula reconhece a impossibilidade de governar ignorando movimentos populares e das redes sociais.
  • Cortez destaca a necessidade de acordos pontuais no Congresso para isolar o PL, partido que saiu fortalecido nas eleições.
  • O parlamentar aponta a presença de jovens como Lucas Pavanato (direita) e Jones Manoel (esquerda) entre os candidatos mais votados, reforçando a diversidade da mobilização.

A vitória eleitoral não encerra a disputa política. Pelo contrário, abre uma nova discussão sobre quem terá espaço nas decisões e quais vozes serão ouvidas pelo governo. Em entrevista ao Almoço MyNews, no dia 30 de outubro, o deputado estadual Guilherme Cortez (PSOL-SP) defendeu que o governo Lula não pode se afastar das ruas depois de chegar ao poder com a participação de movimentos populares e da mobilização nas redes sociais.

Ao responder quem deve ter mais influência no novo governo, o Centrão ou a mobilização popular, Cortez afirmou que Lula entende que não é possível conquistar apoio nas ruas e nas redes e, depois, governar ignorando esses mesmos movimentos. O deputado reconheceu, entretanto, o peso da correlação de forças no Congresso. Segundo ele, o presidente precisará construir acordos pontuais para isolar o PL, partido que, em sua avaliação, saiu fortalecido do processo eleitoral.

A força que vem de fora do Congresso

Para Cortez, porém, a capacidade de negociação institucional não deve determinar sozinha os rumos do governo. Na avaliação do parlamentar, as ruas precisam ter voz e participar da construção política do novo mandato. Afinal, foi a mobilização popular que ajudou a produzir o movimento histórico responsável por levar Lula novamente à Presidência.

Essa participação também passa pela juventude. Ao discutir os rumos da política brasileira, o deputado chamou atenção para a presença de jovens entre os candidatos mais votados do país. Ele citou nomes de diferentes campos ideológicos, como Lucas Pavanato, representante da direita, e Jones Manoel, ligado à esquerda, além de sua própria trajetória.

A juventude e o fim de uma velha política

A presença de novos nomes nas urnas, segundo Cortez, não representa apenas uma renovação de idade, mas também uma mudança na maneira de fazer política. Para explicar esse processo, o deputado recuperou os efeitos da crise financeira de 2008 sobre a credibilidade dos partidos tradicionais.

Naquele período, segundo sua análise, as diferenças entre os principais projetos políticos pareciam cada vez menores. PT e PSDB, embora ocupassem posições distintas no espectro partidário, passaram a ser percebidos por parte da sociedade como representantes de uma mesma estrutura política, organizada sob a lógica neoliberal.

Com a crise de 2008, essa percepção começou a se desgastar. Para Cortez, o abalo na confiança nas instituições abriu espaço para novas formas de organização e representação política. Desde então, diferentes gerações passaram a disputar não apenas os cargos, mas também o significado da própria política.

O crescimento de lideranças jovens, tanto à esquerda quanto à direita, revela uma transformação que não se limita às eleições. A disputa agora envolve novas linguagens, identidades e formas de participação. Para o deputado, compreender esse movimento será fundamental para entender os próximos capítulos da política brasileira.

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