Vorcaro ganhava R$ 20 milhões para expandir mercado de consignado associativo Banco Master

Vorcaro ganhava R$ 20 milhões para expandir mercado de consignado associativo

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Mensagens revelam que o dono do Banco Master cobrou taxa de associações para estruturar novo modelo de consignado e expandir base de clientes

As operações de crédito consignado também estavam no centro da estratégia de Daniel Vorcaro para expandir os domínios do Banco Master. O alvo eram as associações de classe e as folha de pagamento dos Estados, o caso mais conhecido o Credcesta na Bahia. Em apenas uma dessas operações com as entidades associativas, a engenharia financeira de Vorcaro garantiu ao banco um fee de R$ 20 milhões, pago integralmente à vista pela entidade parceira.

O modelo foi detalhado pelo próprio Vorcaro em conversas com um interlocutor chamado Paulo dentro do Banco Central. Nas mensagens, o banqueiro explica que o negócio consistia em criar uma nova estrutura de mercado para o crédito associativo. Antes, as associações usavam capital próprio para emprestar aos sócios, o que restringia o volume de operações; com a chegada do Master, o banco passou a fornecer todo o funding, que é o recurso necessário para os empréstimos.

Essa mudança permitiu que o banco financiasse tanto a associação quanto o associado final, utilizando o código de desconto em folha como garantia absoluta de pagamento. Para as entidades, a vantagem era focar em benefícios não financeiros, enquanto o banco assumia a operação de crédito. Pela estruturação desse mecanismo e pelo fornecimento dos recursos, Vorcaro cobrou uma taxa direto do caixa das instituições.

Embora os nomes das entidades não tenham sido revelados na conversa, o perfil descrito nas mensagens impressiona. Trata-se de duas instituições que, juntas, acumularam 60 mil associados ao longo de duas décadas de existência. Para convencê-las a entregar a operação, Vorcaro prometeu um salto agressivo: dobrar o número de membros e atingir uma arrecadação anual de R$ 120 milhões.

O argumento de convencimento era a velocidade do retorno. Vorcaro afirmava que o negócio era tão vantajoso que o fee de R$ 20 milhões seria recuperado pelas associações ainda no primeiro ano. A parceria mostrou resultados rápidos: em apenas três meses, a base de clientes dessas entidades já havia crescido em quase 10 mil novos nomes, validando o modelo de expansão acelerada proposto pelo banqueiro.

Antes da entrada do Banco Master, o crédito associativo era descrito como “tímido”. As associações tinham receio de comprometer o patrimônio próprio com assistência financeira. Ao injetar o capital do banco, Vorcaro transformou um serviço de auxílio mútuo em uma linha de crédito profissional e altamente lucrativa para a sua instituição, garantindo liquidez imediata através da taxa de estruturação.

A revelação das conversas com Paulo, o contato no Banco Central, adiciona uma camada de gravidade ao caso. As mensagens indicam que Vorcaro utilizava esse canal para fazer pleitos e garantir que a operação caminhasse sem entraves regulatórios. Essa proximidade sugere que a captura do mercado de consignados associativos contava com um facilitador posicionado estrategicamente na autoridade monetária.

O esquema do Banco Master contava com três braços até agora identificados:

1- FGC, por meio da venda desenfreada de CDBs com cobertura do fundo;

2- Aposentados, por meio da venda de títulos para fundos de previdência de servidores públicos;

3- Consignado; por meio de operações com as entidades associativas, operações com o Credicesta na Bahia e operações em folhas de outros Estados

Nos dois últimos casos Vorcaro contava com uma enorme rede paga por cifras generosas para construir uma rede de influência política que lhe permitiu acesso a esses canais.

RAIO-X DO IMPASSE: VORCARO x BANCO CENTRAL

O cenário: Apelo para destravar a “aprovação de controle” do banco, contestando ajustes exigidos pela Deorf/Desup.

 O Tamanho da Operação

  • Clientes: Salto de 1.000 para 120 mil (em 6 meses).

  • Banco Digital: 600 mil contas assinadas.

AS EXPLICAÇÕES DE VORCARO

Operação O que foi feito O impasse (Bacen) A defesa de Vorcaro
1. Consignado (Fee R$ 20M) Estruturação de crédito associativo (banco dá o funding, associação desconta em folha). Questionamento do fee cobrado pelo banco. Negócio fechado e recebido. Entidades dobrarão arrecadação (R$ 60M para R$ 120M). 
2. Seguradora Compra via FIP com AFAC em holding. Equivalência patrimonial puxada para o balanço. Atraso na aprovação do investimento direto pelo Bacen. Estrutura legal. Empresa gera caixa real. Se Bacen vetar, vende-se no mercado (há oferta de 3x o valor contábil).
3. Crédito Caparaó Cessão de crédito de R$ 54M (lajes em BH) por R$ 26M para advogado especialista, com financiamento do saldo. Questionamento sobre o financiamento a terceiros. Regra de PDD seguida. Financiar é o negócio do banco. Concessão: Aceita criar provisão de 100% até receber.
4. CRI Amil Opção de compra de imóvel “Triple A” por R$ 56M e venda a prazo para investidores por R$ 75M. Ajustes sobre a estruturação e venda a prazo. Operação alinhada previamente. Venda a prazo segue regras de crédito. Concessão: Aceita criar provisão de 100% até receber.
5. Fundos Investimentos e marcação a mercado (TVM). Supostos ganhos anuais não reconhecidos. Ganhos e perdas se anularam no ano (“net” zerado). Não há resultado anual a ser ajustado.

 

A SOLUÇÃO DE VORCARO PROPOSTA PARA A BASILEIA

Para cobrir qualquer impacto no Patrimônio de Referência (PR) gerado pelas provisões exigidas, há garantias de injeção de capital na fila, aguardando apenas a aprovação de controle:

  • Pedro: R$ 20 milhões

  • Augusto: R$ 20 milhões (já comprometidos)

  • Humberto: Potencial de até R$ 50 milhões

  • TOTAL: Até R$ 90 milhões em capital engatilhado.

 

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