Irã.
Oriente Médio
Em meio à escalada militar no Oriente Médio, Mara Luquet relembra viagem ao país e descreve cenário de incerteza política após ofensiva aérea
Durante o programa Café do My News desta segunda-feira (2), a jornalista Mara Luquet relembrou o período em que esteve no Irã, anos antes da atual escalada militar no Oriente Médio. A experiência foi mencionada no contexto dos ataques recentes que atingiram lideranças do regime iraniano e ampliaram a instabilidade na região.
Segundo Mara, uma amiga iraniana costumava afirmar que o país conhece os efeitos de intervenções estrangeiras por ser vizinho do Iraque e do Afeganistão. A observação foi citada como síntese do sentimento de apreensão diante de uma possível ampliação do conflito.
A morte do líder supremo Ali Khamenei e de outros integrantes da cúpula iraniana nos primeiros bombardeios abriu um cenário de incerteza política. Também foi noticiada a morte do ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad. Até o momento, não há definição clara sobre sucessão nem indicação de liderança oposicionista estruturada capaz de assumir o poder.
No campo econômico, o petróleo registrou forte alta na abertura dos mercados, enquanto bolsas internacionais operaram sob volatilidade. Ataques também foram registrados em outros pontos da região, incluindo o Líbano, ampliando o risco de escalada.
Ao recordar sua viagem, Mara descreveu o Irã como um país de forte tradição cultural e histórica. Ela visitou o túmulo do poeta persa Hafez, local frequentemente visitado por famílias iranianas. Segundo o relato, a poesia ocupa espaço relevante na vida cotidiana, inclusive com a prática de abrir livros ao acaso para leitura de trechos.
A jornalista também mencionou que ouviu de moradores a distinção entre a população iraniana e o regime dos aiatolás. Durante a estadia, relatou ter presenciado campanha eleitoral nas ruas e circulação de materiais de propaganda política.
Sobre as mulheres iranianas, afirmou ter observado participação ativa em diferentes espaços sociais e econômicos. Citou ainda as mobilizações ocorridas após a morte de uma jovem detida sob acusação relacionada ao uso do véu, episódio que gerou protestos no país.
Outro ponto destacado foi o apoio de parte significativa da população ao programa nuclear iraniano, entendido por muitos como questão de soberania nacional. De acordo com análises mencionadas no programa, o tema costuma unir diferentes correntes internas, independentemente de posições sobre o regime.
A ofensiva aérea foi conduzida sob liderança do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que optou por ataques sem o envio de tropas terrestres. A estratégia foi comparada a intervenções anteriores no Oriente Médio, com diferenças no formato operacional.
Mara também relembrou a visita a Passárgada, antiga capital do Império Persa associada ao rei Ciro, local que inspirou o poema do escritor brasileiro Manuel Bandeira. A referência foi citada como exemplo da relevância histórica e cultural do território iraniano.
Com aeroportos sob restrições e cenário de conflito aberto, a região vive momento de indefinição política e tensão geopolítica, com reflexos imediatos nos mercados internacionais e na diplomacia global.