Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump | Foto: Daniel Torok/Casa Branca
política internacional
Obra relata episódio em que assessor teria escondido carta do presidente para evitar rompimento de acordo comercial com a Coreia do Sul
Um episódio descrito em livro do jornalista norte-americano Bob Woodward, um dos responsáveis pela investigação do escândalo de Watergate, ajuda a ilustrar os bastidores turbulentos da política externa dos Estados Unidos durante o governo de Donald Trump.
Na obra, Woodward relata que, cerca de sete meses após assumir a presidência, Trump cogitou romper o acordo comercial com a Coreia do Sul por causa do déficit na balança comercial entre os dois países e dos custos para manter tropas americanas no território sul-coreano.
A ideia causou forte reação dentro da Casa Branca. Assessores argumentaram que a presença militar americana na região é estratégica para conter ameaças da Coreia do Norte. Segundo o relato, mísseis norte-coreanos poderiam alcançar cidades americanas, como Los Angeles, em cerca de 37 minutos. Com bases instaladas na Coreia do Sul, no entanto, os Estados Unidos teriam capacidade de interceptação muito mais rápida.
O livro descreve também um episódio incomum: ao perceber que Trump havia preparado uma carta para comunicar o rompimento do acordo ao governo sul-coreano, um dos principais assessores econômicos teria retirado o documento da mesa do presidente e escondido a correspondência para impedir o envio.
A narrativa, publicada pela editora Todavia no Brasil, apresenta episódios que expõem disputas internas, decisões impulsivas e o clima de tensão dentro do governo americano. A obra também busca explicar a lógica de funcionamento da administração Trump e o impacto de decisões presidenciais em temas sensíveis da geopolítica internacional.