Copom mantém Selic a 2%: e a alta da inflação? Seu bolso
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  • 11 de dezembro de 2020
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Copom mantém Selic a 2%: e a alta da inflação?


Em decisão unânime, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu nesta quarta-feira (09) manter em 2% a taxa básica de juros do país. Essa é a terceira reunião consecutiva em que o Banco Central (BC) mantém o nível da Selic neste patamar, o mais baixo da série histórica.

A decisão, que é a última do ano de 2020, acontece em meio ao avanço dos preços no país. Em novembro, o IPCA, índice que é considerado a inflação oficial, acumulou alta de 4,31% nos doze meses, acima do centro da meta estipulado pela autoridade monetária.

Para dezembro, a avaliação do Copom é de que a inflação “ainda deve se mostrar elevada”. Em nota, o comitê avalia que o cenário inflacionário sugere, em breve, uma mudança na manutenção do “forward guidance” – ou seja, nas intenções futuras do comitê de não elevar a Selic. 

Uma alta nos juros básicos, no entanto, não deve ser imediata. Apesar da inflação acima do centro da meta, os índices continuam dentro do intervalo de tolerância do Banco Central. 

Copom mantém juros a 2% apesar da alta da inflação
Copom mantém juros a 2% apesar da alta da inflação.
(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A avaliação é que “a conjuntura econômica continua a prescrever estímulo extraordinariamente elevado frente às incertezas quanto à evolução da atividade”. Sobre a pressão inflacionária, apesar de  reconhecer que as últimas leituras vieram “acima do esperado”, o Copom reforça a avaliação de que os choques nos preços são passageiros. 

“Apesar da pressão inflacionária forte no curto prazo, o Comitê mantém o diagnóstico de que os choques atuais são temporários”. 

A manutenção dos juros pelo Banco Central já era amplamente esperada pelo mercado financeiro, segundo Fabio Passos, CIO da Indosuez. Em entrevista ao Dinheiro na Conta de quarta-feira (9), ele chama a atenção, no entanto, para a retirada da possibilidade de novos cortes na Selic, um indicativo presente nas últimas decisões. 

“Essa mudança é importante em relação aos comunicados anteriores”, diz. “Você deixa de ter uma política de tantos estímulos, para ser uma política que potencialmente, olhando para frente, abriria as portas para altas da taxa básica de juros”, explica.

Sobre a inflação para o ano que vem, a avaliação de Passos é que o fim do auxílio emergencial pode mexer na demanda e potencialmente reduzir a pressão nos preços. Outro ponto que deve aliviar o avanço da inflação é a mudança na trajetória do câmbio. O dólar, que chegou perto dos R$5,80 em outubro, passou as últimas sessões entre R$5,11 e R$5,18.

“Você tem muito menos pressão inflacionária vindo do câmbio. Então é possível que a gente tenha visto o ponto máximo da inflação neste final de ano. Tudo leva a crer que a inflação para 2021 esteja mais contida do que está agora”, explica Passos.

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