APAGUE A LUZ

Governo cria bandeira de escassez hídrica, 50% mais cara, e conta de energia deve subir

A bandeira de escassez hídrica, que começa a valer a partir desta quarta (1º), representará um reajuste de 49,6% em relação à bandeira vermelha, patamar 2, que está sendo aplicada
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A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou nesta terça (31) uma nova bandeira tarifária, que ficará em vigor até abril de 2022. A bandeira de escassez hídrica, que começa a valer a partir desta quarta (1º), representará um reajuste de 49,6% em relação à bandeira vermelha, patamar 2, que está sendo aplicada. O valor de 100 kWh passou de R$ 9,49 para R$ 14,20. A tarifa já era a mais cara cobrada no sistema de bandeiras e já havia sido reajustada 52% em junho deste ano.

Bento Albuquerque - diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica
O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica, Bento Albuquerque, anunciou nova bandeira tarifária e programa de incentivo à economia de energia/Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Segundo a Aneel, o mês de agosto foi de maior severidade no regime hidrológico do Sistema Interligado Nacional (SIN), afetando a capacidade de produção hidrelétrica do país e provocando a necessidade do uso de termelétricas. O acionamento das termelétricas influencia os custos do risco hidrólógico (GSF) e o preço da energia no mercado de curto prazo (PLD) – duas variáveis que determinam a bandeira tarifária que será adotada.

Em entrevista ao Jornal do MyNews, o engenheiro eletricista e diretor do Instituto Ilumina, Roberto D’Araújo, analisou a necessidade de reajuste como uma consequência da má administração e disse que o Brasil já deveria ter um plano de racionamento, para evitar o risco de apagão. “É verdade que há uma crise hídrica, mas é verdade também que nós estamos esvaziando os reservatórios desde 2014. Então nós estamos nessa situação porque estamos com a caixa d’água vazia. O desmatamento que ocorreu na Amazônia, é uma certeza dos especialistas em meio ambiente, que isso afeta os rios”, argumentou D’Araújo, lembrando do impacto da política ambiental do Governo Federal sobre a conta de energia elétrica.

Esta é a quinta vez que a tarifa vermelha patamar 2 é reajustada em 2021. No início do ano ela custava R$ 1,34. No mês de maio, passou para 4,16; e no mês de junho, para R$ 6,24, e em julho, para R$ 9,49. A partir dessa quarta-feira (1º), custará R$ 14,20.

Governo lança programa de incentivo à economia de energia

O Ministério das Minas e Energia (MME) anunciou o lançamento de um programa de incentivo à redução voluntária do consumo de energia elétrica para os consumidores regulados. O programa vai bonificar os consumidores que reduzirem o consumo de energia em, no mínimo, 10%. A meta do ministério é que cada consumidor economize, em média, 15%. Para cada 100 Kwh economizados, haverá um bônus de R$ 50 na conta de energia, limitado a 20% do consumo total. Este incentivo será válido entre os meses de setembro e dezembro de 2021.

Entenda o sistema de bandeiras para cobrança da energia elétrica

Criado em 2015, o sistema de bandeiras para calcular a tarifa de energia marca o custo da produção energética no Brasil. São três tipos de bandeira que indicam o preço necessário para manter a oferta de energia:

  • Bandeira verde: Indica que a conta de luz não vai sofrer nenhum acréscimo, já que as condições estão favoráveis para a geração de energia. Esta bandeira entra em vigor quando as condições de chuva e os níveis dos reservatórios estão acima do nível e a demanda é suprida apenas pelas usinas hidrelétricas, que são mais baratas e menos poluentes.
  • Bandeira amarela: É o primeiro nível de taxa extra, a que tem valor menor. Ela indica que as condições de geração de energia estão menos favoráveis e alerta os consumidores de que é preciso economizar.
  • Bandeira vermelha patamar 1: A taxa extra sobe um nível com a piora das condições de geração de energia.
  • Bandeira vermelha patamar 2: É o nível que o Brasil está neste momento. É a tarifa mais cara do sistema e indica que a geração de energia está mais cara. Isso acontece por causa das usinas termelétricas, que precisam ser acionadas para suprir a demanda.
  • Bandeira de escassez hídrica: Criada oficialmente nesta terça (31), valerá em princípio até abril de 2022 e será uma cobrança extra devido à maior severidade do regime hidrológico, que segundo a Aneel é o pior dos últimos 90 anos.

Leia também – Conta de luz fica mais cara em setembro

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