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Variante Delta preocupa, mas não deve ter grande impacto na economia, diz Sérgio Vale

Economista-chefe da MB Associados analisa cenário brasileiro e vê questões políticas como fator importante para desempenho da economia
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A Organização Mundial de Saúde (OMS) publicou relatório nesta quarta-feira(21) que mostra que a variante Delta, cepa mais contagiosa do novo coronavírus, se tornará predominante no mundo nos próximos meses. A variante já está presente em 124 países e já é responsável por mais de 80% dos casos de Covid-19 dos Estados Unidos. Esse cenário traz instabilidades para o mercado mundial. Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, comenta sobre os possíveis rumos do mercado diante desse cenário.

O economista Sergio Vale. Foto: MB Associados.
O economista Sergio Vale, da MB Associados, acredita que variante Delta do novo coronavírus não deve afetar fortemente a economia mundial. No Brasil, instabilidade política influencia mercado. Foto: MB Associados.

“Por enquanto o cenário é de continuidade da retomada da economia. A variante Delta é preocupante. A gente está vendo um aumento dos casos aqui no Brasil. Essa variante já se espalhou com intensidade lá fora e tem um número crescente de contaminações. Tem um elemento de preocupação, mas acho que tem menos risco de impacto na atividade do que quando a gente viu acontecer naquele momento, em março e abril. É motivo de preocupação (que haja) alguma restrição de movimentação, mas acho que grande impacto na atividade no final acaba não acontecendo”, avalia o economista da MB Associados.

Vale comenta que no início da semana ocorreram oscilações e quedas nos mercados mundiais, todas puxadas pelo aumento de juros na economia dos Estados Unidos, e que países emergentes como o Brasil costumam sentir essas oscilações de maneira mais forte.

“No Brasil a gente passa um cenário que é mais complicado do que outros lugares, porque a gente tem um ciclo político bastante tenso. O governo Bolsonaro em confronto direto agora com os poderes. Isso também alimenta indecisão de risco do ponto de vista do mercado, porque sinaliza que você pode ter atraso nas reformas que vêm pela frente. Sem falar que o mercado também está preocupado com a qualidade dessas reformas. Então você tem o cenário internacional, que começa a ficar mais tenso. A gente acaba recebendo impacto com mais agressividade aqui, por conta das nossas questões domésticas, as nossas questões políticas. Então foi um pouco isso que a gente viu acontecer nos últimos dias”, explica o economista.

Vale alerta ainda que o momento é bastante complicado quando o assunto é investir, já que teremos um crescimento mais baixo que o esperado e taxas de juros mais elevadas. As eleições de 2022 também fazem o momento ser mais conturbado e trazem mais volatilidade ao cenário, com grandes variações até o final do ano.

“O momento é para investir com cuidado, pensar bem nos papéis que vão ser comprados, pensar bem como vai ser investido, que vai ter muita turbulência, vai ter muita velocidade e quem é marinheiro de primeira viagem pode ficar assustado com essa atividade que a gente vai ter pela frente”, esclarece o economista.

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