Entre o resgate do passado e o ‘Modo TikTok’: as estratégias do PT e do Bolsonarismo Foto: BBC Eleições 2026

Entre o resgate do passado e o ‘Modo TikTok’: as estratégias do PT e do Bolsonarismo

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Os dois principais nomes da disputa presidencial desenham discursos de continuidade e apelam para a nostalgia, enquanto a corrida eleitoral se rende aos formatos das redes sociais

O início da corrida presidencial revela uma dinâmica paradoxal. Por um lado, as campanhas usam ferramentas modernas de comunicação. Por outro lado, elas mantêm discursos políticos essencialmente conservadores. Assim, nem Luiz Inácio Lula da Silva nem Flávio Bolsonaro apresentam propostas de ruptura. Em vez disso, ambos preferem apostar na manutenção do passado.

Lula iniciou sua agenda oficial no estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo. O local possui forte valor simbólico, pois abrigou as assembleias metalúrgicas dos anos 1970. Dessa forma, a mensagem do candidato do PT foca na continuidade de sua trajetória de quase cinco décadas. Além disso, a campanha enfatiza a maturidade acumulada para evitar promessas de mudanças radicais.

De maneira semelhante, Flávio Bolsonaro escolheu a Praia de Copacabana como seu primeiro palco. Esse local foi o principal ponto de mobilização do governo de seu pai, Jair Bolsonaro. Diante disso, o candidato decidiu assumir abertamente o papel de herdeiro político do bolsonarismo. Consequentemente, ele abandonou a postura moderada do início da pré-campanha para focar no eleitorado conservador já fidelizado.

O Impacto da ‘Campanha TikTok’ e o Vazio de Propostas

Paralelamente às ideias tradicionais, a estética da disputa adotou a linguagem do TikTok. Além do uso frequente de Inteligência Artificial, as equipes investem em vídeos curtos e altamente produzidos. Contudo, essa busca por engajamento gera controvérsias. Um exemplo disso foi a publicação de Flávio vestindo sunga e faixa presidencial, o que recebeu duras críticas até mesmo de aliados.

Apesar da alta produção audiovisual, o debate programático continua em segundo plano. Portanto, a disputa atual foca na atração de likes em vez de discutir saídas para os problemas do país. Dessa forma, temas urgentes como o alto endividamento das famílias e as taxas de juros permanecem sem propostas concretas. Enfim, a eleição começa com uma forte espetacularização nas redes, mas acompanhada por velhas fórmulas políticas.

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