Coreia do Norte vê guerra no Irã como alerta e reforça aposta em arsenal nuclear Foto: GettyImages TENSÃO INTERNACIONAL

Coreia do Norte vê guerra no Irã como alerta e reforça aposta em arsenal nuclear

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Regime de Kim Jong-un vê conflito como prova de que armas nucleares são essenciais para evitar ataques e tende a endurecer posição diante dos EUA

A guerra envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel pode ter reforçado, dentro do regime de Kim Jong-un, a convicção de que o programa nuclear norte-coreano segue sendo a principal garantia de sobrevivência política e militar. A avaliação é que, ao observar o enfraquecimento de Teerã em meio ao conflito, Pyongyang tende a concluir que abrir mão de sua capacidade de dissuasão seria um erro estratégico. Segundo análise publicada pela BBC, a ofensiva no Oriente Médio deve aprofundar a leitura da Coreia do Norte de que apenas armas nucleares são capazes de impedir ameaças externas mais diretas.

A reação oficial do regime foi imediata. A Coreia do Norte condenou os ataques e classificou a ofensiva como uma “guerra de agressão injustificável”. A posição não surpreende, já que Irã e Coreia do Norte mantêm há décadas relações políticas e militares marcadas pela oposição aos Estados Unidos e por cooperação no desenvolvimento de armamentos.

Analistas ouvidos na reportagem apontam, porém, que Pyongyang se encontra hoje em situação mais protegida do que Teerã. Isso porque o país já é tratado, na prática, como uma potência nuclear e conta com um arsenal que eleva significativamente o custo de qualquer ofensiva externa. Além disso, a proximidade com China e Rússia amplia a margem de segurança do regime de Kim Jong-un em um cenário de crescente tensão internacional.

Outro fator relevante é a localização geográfica da Coreia do Norte. O país mantém capacidade de ameaça direta sobre Coreia do Sul e Japão, aliados centrais dos Estados Unidos na Ásia. Para especialistas, esse poder de pressão regional funciona como elemento de dissuasão adicional e ajuda a explicar por que Kim adota postura mais confiante, sem necessidade de se ocultar politicamente mesmo diante da escalada militar observada no Irã.

A leitura predominante entre estudiosos é que a guerra também reduz ainda mais a confiança de Pyongyang em negociações de desnuclearização com Washington. Na visão do regime, o destino de governos que não possuem armas nucleares ou que limitam sua capacidade de resposta serve como aviso. Com isso, a tendência é de que Kim Jong-un endureça sua posição, preserve seu arsenal e mantenha aberta apenas uma via diplomática que reconheça formalmente o status nuclear da Coreia do Norte.

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