Abdollah Ghadirli Nebounan. Foto: Terra.
Oriente Médio
Diplomata iraniano afirma que condenação brasileira aos ataques reforça soberania e valores humanos
O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Ghadirli Nebounan, agradeceu nesta segunda-feira (2) a posição do governo brasileiro diante dos ataques dos Estados Unidos contra o território iraniano. Segundo ele, a manifestação oficial do Brasil foi recebida de forma positiva por Teerã.
“Recebemos a declaração do governo brasileiro sobre os ataques contra o Irã e agradecemos a condenação do ato de agressão dos EUA pelo governo do Brasil. Vemos essa ação como valorosa, pois dá atenção aos valores humanos, à soberania e à independência dos governos”, afirmou o diplomata.
Nebounan declarou que o país mantém estabilidade institucional mesmo em meio ao conflito. “O Irã é soberano por completo e a gestão está em pleno vigor”, disse. Sobre possíveis brasileiros no país, o embaixador afirmou que não há preocupação relevante no momento. “Não há quantidade significativa de brasileiros lá. Não há nada significativo em relação a brasileiros. E a embaixada brasileira acompanha”, explicou.
O diplomata afirmou que o Irã considera estar atuando em legítima defesa. Segundo ele, o país foi alvo inicial dos ataques e reagiu militarmente. “Conhecem a nossa história de mais de 6 mil anos. Entramos nessa guerra por estarmos firmes e em pé. Fomos atacados e estamos nos defendendo”, declarou.
Ao comentar ataques contra bases militares americanas instaladas em países do Golfo, Nebounan afirmou que as ações não têm como alvo essas nações. “Quando uma base é usada para atacar nosso país, claramente será atacada e terá resposta”, disse, citando locais como Kuwait e Catar.
O embaixador afirmou ainda não possuir confirmação oficial sobre um suposto ataque iraniano a um escritório ligado ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.
Nebounan comentou também a morte do líder supremo Ali Khamenei durante os ataques. Segundo ele, o religioso decidiu não buscar abrigo.
“A decisão dele foi não se abrigar. Ele entendeu que, se a população não tem abrigo, também não ficaria protegido”, afirmou. O embaixador disse que Khamenei estava em seu local de trabalho, em jejum durante o Ramadã, quando foi morto aos 86 anos. Sobre as negociações internacionais envolvendo o programa nuclear iraniano, o diplomata afirmou que Teerã não via legitimidade no processo. Segundo ele, as tratativas eram “uma farsa para fazerem as coisas que estavam interessados”.
O posicionamento ocorre em meio ao aumento das tensões entre Irã e Estados Unidos, que elevou o alerta internacional sobre o risco de ampliação do conflito no Oriente Médio.