Presidente Donald Trump. Foto: Reuters
ESTREITO DE ORMUZ
O presidente dos EUA exige o envio de forças especiais para reabrir o Estreito de Ormuz, alertando que a falta de cooperação europeia terá consequências graves para a aliança militar
Em uma entrevista exclusiva ao Financial Times, o presidente Donald Trump alertou que a OTAN terá um futuro “muito ruim” caso os aliados europeus se recusem a colaborar na reabertura do Estreito de Ormuz. Com o preço do petróleo atingindo US$ 106 por barril, uma alta de 45% desde o início do conflito com o Irã há duas semanas, Trump defende que as nações beneficiárias do fluxo de óleo devem assumir sua responsabilidade. O presidente sugeriu que o apoio dos EUA a questões europeias, como a guerra na Ucrânia, deveria ser retribuído agora com o envio de forças especiais para neutralizar ameaças iranianas na costa.
Donald Trump warns Nato faces ‘very bad future’ if allies fail to help US in Iran
A pressão da Casa Branca não se limita à Europa. Trump indicou que pode adiar a cúpula com o presidente chinês Xi Jinping, prevista para o final deste mês, como forma de forçar Pequim a colaborar no desbloqueio da via marítima. O argumento central do governo americano é que, enquanto os EUA possuem independência energética, Europa e China são os maiores dependentes do petróleo do Golfo. “É justo que as pessoas que são as beneficiárias do Estreito ajudem a garantir que nada de ruim aconteça lá”, afirmou o presidente ao Financial Times.
Apesar da retórica agressiva, Trump demonstrou pessimismo quanto à adesão imediata dos aliados, reiterando suas críticas históricas de que a parceria na OTAN é unilateral. Ele instou os países a enviarem equipes de comando para eliminar “maus atores” e drones iranianos que têm causado transtornos no Golfo, afirmando que os EUA já estão atacando o Irã severamente, mas precisam de suporte logístico e militar para o policiamento naval. O impasse coloca em xeque a estabilidade econômica global e a própria coesão da aliança militar ocidental diante do fechamento do ponto por onde passa um quinto do petróleo mundial.