A bomba que não foi feita Foto: instagram Armas nucleares

A bomba que não foi feita

Ataques ao Irã reacendem o paradoxo nuclear: quem não tem a bomba pode virar alvo.

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  • Analistas de geopolítica afirmam que o líder iraniano Ali Khamenei errou ao não desenvolver uma bomba atômica.
  • Eles apontam que a lógica de dissuasão nuclear, vigente desde a Guerra Fria, impede ataques a países que a possuem.
  • Segundo esses especialistas, um único teste nuclear teria sido suficiente para desestimular um bombardeio coordenado entre EUA e Israel.
  • A proposta sustenta que apenas demonstrar capacidade, sem uso efetivo, poderia mudar o cálculo estratégico dos adversários.

Há uma reflexão incômoda circulando entre analistas de geopolítica. Ela é tão perturbadora que, como pacifista, eu hesito até em formulá-la. Mas é impossível ignorá-la: o grande erro de Ali Khamenei pode ter sido não ter feito sua própria bomba atômica.

Não sou eu quem diz isso.

Quem diz são especialistas que observam a lógica fria da dissuasão nuclear. A mesma lógica que, desde a Guerra Fria, sustenta um paradoxo: países que têm a bomba não são atacados. Países que não têm, são.

Um único teste nuclear, dizem esses analistas, talvez tivesse sido suficiente para afastar o risco do bombardeio americano articulado em estreita coordenação com Israel.

Bastaria uma demonstração de capacidade, não necessariamente o uso, para mudar o cálculo estratégico.

Repito: não concordo com essa tese.

Mas eu a ouço.

E, quando ouço, não consigo deixar de pensar: e se eles estiverem certos?

E se a simples existência de um artefato nuclear fosse suficiente para impedir que uma bomba explodisse no próprio quintal?

Se for assim, então a mensagem que está sendo enviada ao mundo, pelos caminhos mais tortos e perigosos, é clara: quem quiser sobreviver, construa sua bomba.

É um pensamento terrível.

Mas é um pensamento que ganha força cada vez que um país sem armas nucleares é atacado, enquanto potências nucleares são tratadas com cautela quase ritual.

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