PANDEMIA

Covid-19 provoca efeitos neurológicos e psiquiátricos, apontam pesquisas

Neurocientista Steven Rehen destaca que efeitos são causados pela capacidade do Covid-19 alterar genes que fazem corpo responder a neuroinflamações e por provocar lesões microvasculares no cérebro
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp

Uma pesquisa da University College of London mostrou que além dos sintomas neurológicos mais comuns da Covid-19 – como perda de olfato e paladar, fadiga dor muscular e dor de cabeça, pelo menos 23% das pessoas que tiveram Covid-19 desenvolveram depressão e 16% tiveram quadros de ansiedade. Outra pesquisa feita numa parceria entre o Imperial College e o Kings College mostraram que pacientes recuperados apresentaram problemas cognitivos que prejudicaram a memória e o raciocínio. Essas pesquisas apontam para efeitos da doença que permanecem mesmo depois que a pessoa é considerada “recuperada” da doença, refletindo em traumas e numa necessidade de focar na reabilitação dessas pessoas.

O neurocientista Steven Rehen destaca que esses efeitos são causados pela capacidade do novo coronavírus de alterar genes que fazem o corpo responder a neuroinflamações e também por provocar lesões microvasculares no cérebro. Para o pesquisador, é interessante abordar esses aspectos num momento em que o Ministério da Saúde tem divulgado informações comemorando 20 milhões de pessoas recuperadas da doença.

“Quando a gente sabe que tem sequelas graves em boa parte dessa população. Essas alterações podem ter impacto no médio e no longo prazo. Há casos de Parkinson que foram gerados por conta do Covid-19 e há também uma expectativa ruim de aumento dos casos de demência e Alzheimer também por conta da infecção”, explicou o neurocientista, em entrevista ao Quinta Chamada Ciência.

Além dessas sequelas, a Covid-19 também pode provocar situações como pensamento sem clareza, perda de atenção e de memória provocados pela falta de oxigenação, já que a doença afeta especialmente os pulmões, ou pela inflamação no cérebro. “Infelizmente há uma série de sequelas possíveis que são causadas pela infecção direta sobre o cérebro, ou pela infecção sistêmica. São consequências preocupantes”, avaliou Steven Rehen.

Pandemia do Covid-19 também provocou problemas psicológicos, como aumento da ansiedade

Outro reflexo da pandemia do novo coronavírus evidenciado através de uma pesquisa realizada pelo Datafolha são os efeitos emocionais e psicológicos da pandemia na população. No levantamento, 44% das pessoas entrevistadas relataram problemas psicológicos durante a pandemia, especialmente mulheres, jovens, pessoas com alta escolaridade e pessoas sem filhos.

Para a bióloga Ana Bottalo, esse percentual pode até ser maior do que o apontado pela pesquisa Datafolha, pois existe uma estigmatização das doenças mentais que pode fazer as pessoas terem receio de revelarem o que estão enfrentando.

“Ainda é um tabu dizer que você está sofrendo de ansiedade ou depressão. Que você não está conseguindo manter um ritmo que seria esperado. É preciso falar sobre isso, num momento que todo mundo ficou parado nas suas casas. É normal você falar que não está aguentando, que a pressão está muito forte, que dentro de casa há uma sobrecarga de trabalho, que você é pago para fazer (home office), aliado às tarefas domésticas e aos cuidados dos filhos. Ao mesmo tempo que foi uma forma de estar mais presente, a gente está mais ausente também, pois está o tempo todo conectado, com a necessidade de fazer mil tarefas ao mesmo tempo. É possível ter havido uma subnotificação porque as doenças são autodeclaradas”, ponderou a bióloga.

O jornalista Salvador Nogueira lembrou que a ansiedade e o stress afetaram também as pessoas que precisaram sair para trabalhar, que também enfrentaram situações dramáticas de ter que se proteger e do medo de infectarem pessoas próximas.

Steven Rehen citou que após a gripe espanhola, no início do Século XX, uma pesquisa na Noruega mostrou aumento de até sete vezes nos casos de depressão, ansiedade e distúrbios do sono – no que se pode chamar de uma epidemia de tristeza – e que uma situação de pandemia pode ser comparada a situações de guerra e desastres naturais.

Quinta Chamada Ciência abordou a saúde mental na pandemia, o medo da Matemática e um estudo que pretende reviver os mamutes – extintos há 4 mil anos. Assista ao programa no Canal MyNews.

Relacionadas
CLÃ DEL GOLFO
Otoniel, traficante mais procurado da Colômbia, foi preso neste sábado (23)
CORONAVÍRUS
Secretaria Municipal de Saúde de Belém confirma a circulação da subvariante que não é detectada pelo PCR
42º Congresso da Abrapp
Conferência online visa discutir novas estratégias organizacionais alinhadas à realidade tecnológica e à cultura sustentável. Empresas de previdência privada precisam dialogar com essas ferramentas
CONEXÃO EUROPA
A jornalista Flávia Freire estreia no MyNews no dia 9 de novembro, com o programa Conexão Europa. O programa deve conectar empresários e investidores dos países de língua portuguesa
RELACIONAMENTO
Vivenciar um divórcio não é fácil, mas é essencial pensar em questões práticas e evitar ficar em situação vulnerável, principalmente para as mulheres
Resgate
Naufrágio matou 7 pessoas e aconteceu depois de tempestade na sexta-feira (15). Mergulhadores e especialistas trabalharam no resgate
Inscreva-se na newsletter

Utilizamos cookies essenciais e tecnologias semelhantes de acordo com a nossa Política de Privacidade e Política de Cookies. Ao continuar navegando, você concorda com estas condições.