Fora de controle

Epidemiologista pede ajuda internacional para combater pandemia em Manaus

Especialista da Fiocruz Amazônia critica situação enfrentada pelo Amazonas e culpa autoridades locais e federais
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Sistema de saúde do Amazonas vive caos diante do avanço da Covid-19 no estado e falta de ações contra o vírus
Amazonas vive caos e vê mortes crescerem diante do avanço da Covid-19 no estado e falta de ações contra o vírus. (Foto: Chico Barata)

A crise instalada na saúde pública do Amazonas, que tem na capital Manaus um de seus expoentes, vai além da falta de oxigênio. A presença de uma nova cepa da Covid-19, a falta de leitos hospitalares e até “fura-fila” na questão das vacinas são elementos que deixem o cenário ainda mais grave.

Tal situação se reflete nos números da pandemia no Amazonas. Só nos primeiros 20 dias de 2021, 945 pessoas morreram somente em Manaus, de acordo com a Secretaria Estadual de Saúde. O dado já se aproxima do total de óbitos em razão do novo coronavírus de agosto a dezembro, que foi de 1.038 vítimas.

Esses e outros fatores levam o epidemiologista Jesem Orellana, da Fiocruz Amazônia, a ser categórico sobre os responsáveis pela atual situação no Amazonas. Ele pede o envio de uma missão de observadores internacionais para conhecer de perto o caos instalado na região e pressionar por soluções.

“É uma atitude de desespero, um pedido de socorro internacional, literalmente. Temos uma gestão municipal, estadual e federal que atuam conjuntamente e nos deram provas, não só ao amazonense, mas ao brasileiro e à humanidade que se mostraram incapazes de conter a circulação do novo coronavírus em Manaus”, desabafou o especialista durante entrevista ao Almoço do MyNews.

Orellana é autor de uma alerta epidemiológico lançado na última quarta-feira (20), já traduzido para o inglês, que faz esse apelo internacional para conter a pandemia.

“Precisamos urgentemente de observadores internacionais independentes ligados à Organização Mundial da Saúde (OMS), Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e à Comissão das Nações Unidas para os Direitos Humanos (CNUDH), pois não é mais possível confiar nos diferentes
níveis de gestão que estão à frente da epidemia em Manaus”, diz trecho do documento.

“A crise do oxigênio é, na verdade, uma crise que esconde um problema chamado ineficácia na gestão da epidemia e uma baixa adesão da população às medidas necessárias para a contenção do novo coronavírus em Manaus”, acrescenta Orellana

Segundo o especialista, somente um lockdown rigoroso, com duração de pelo menos três semanas, será capaz de quebrar a cadeia de transmissão do vírus em Manaus e, a partir daí, reorganizar a resposta à pandemia.

“Tem solução, mas não com essa gestão que temos”, observa Orellana, expressando pessimismo.

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