O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já discutem as linhas do plano econômico a ser apresentado na campanha eleitoral Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Soberania nacional e desenvolvimentismo são os eixos, visando reduzir a dependência externa e trabalhar nas reformas estruturais.
O PT discute internamente as bases do que será o plano econômico de uma eventual gestão Lula 4. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, pretende deixar o cargo no final do mês e já sinalizou que quer se dedicar ‘a pensar o Brasil’.
Haddad deve participar ou até conduzir a elaboração do “plano de voo” para os próximos anos, em colaboração com o vice-presidente e ministro da Indústria e Comércio Exterior, Geraldo Alckmin, e com a ministra do Planejamento, Simone Tebet.
Conforme apurações, declarações públicas e estudos já feitos pelo PT o plano deve partir de dois pilares:
* soberania nacional
* desenvolvimentismo
As justificativas para seguir esses dois eixos são: a necessidade para reduzir a dependência externa no atual cenário de risco geopolítico, o que leva os países a reforçarem a soberania e se fortalecer internamente; e o passo seguinte à redistribuição de renda e redução das desigualdades, que é focado no desenvolvimento por meio de reformas estruturais. Esse plano de desenvolvimento consiste em:
* papel do Estado como indutor do desenvolvimento
* reindustrialização pela transição ambiental e energética atualizando políticas como a Nova Indústria Brasil e o PAC
* desenvolvimento tecnológico
* enfrentamento do rentismo, que, segundo o PT, inibe o crescimento: defesa da reforma tributária progressiva e da redução dos juros
Dentro da soberania se defende a necessidade de investimentos em exploração mineral, segurança alimentar, defesa e independência digital.
Para a soberania digital é apontada a necessidade de uma política nacional que articule:
* rede pública de dados
* padrões tecnológicos abertos
* centros de computação de alta performance
* incentivos à pesquisa em inteligência artificial aberta e fortalecimento de empresas, universidades e startups brasileiras
Nesse cenário, o governo brasileiro defende a regulação das big techs e mostra preocupação em criar um novo marco de proteção social para o trabalho mediado por plataformas.
O grande desafio será financiar esse plano, que exige grandes investimentos, sem ferir as regras do arcabouço fiscal e tendo que dividir a execução orçamentária com o Congresso por meio das emendas.