Bolsa de Valores do Brasil, B3. Foto: Reprodução
A atratividade das taxas de juros e o ganho real impulsionam a busca por papéis do Tesouro Nacional no mercado brasileiro
A B3 registrou um recorde histórico no volume de negociações de títulos públicos federais. Marisa Rossinhol, conselheira do Conselho Regional de Economia (Corecom) e professora, analisa que as altas taxas de retorno favorecem esse movimento. Os papéis do Tesouro Nacional oferecem retornos com ganho real de 7% a 8% ao ano acima da inflação. Esse tipo de aplicação representa o menor risco do mercado por contar com a garantia do próprio governo federal. Além disso, pequenos investidores podem iniciar aportes com valores baixos, entre R$ 20 e R$ 40.
Alta dos juros e superendividamento: os impactos do custo do dinheiro no Brasil
O pequeno investidor está descobrindo gradualmente as vantagens do Tesouro Direto. Opções como Certificados de Depósito Bancário (CDB), Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) ainda são mais conhecidas por esse público. Contudo, as facilidades operacionais atuais incentivam a transição para os papéis públicos. Aplicativos bancários tornaram o acesso simples para qualquer trabalhador. Além disso, iniciativas de educação financeira promovidas por bancos e pela B3 ampliam o conhecimento sobre as alternativas de aplicação.
O recorde em títulos públicos ocorre simultaneamente a saídas históricas de valores da caderneta de poupança. A poupança continua popular devido à tradição e à praticidade cultural do brasileiro. Contudo, os aplicadores perdem retornos mais expressivos ao manter o dinheiro nessa modalidade antiga. Rossinhol aponta a tendência contínua de migração de recursos da poupança para a renda fixa e para a renda variável. Essa movimentação reflete a busca por rendimentos superiores em um cenário econômico propício.
Os investidores mais jovens lideram o uso da tecnologia para operações financeiras. Esse público utiliza o acesso à internet e às redes sociais para buscar conhecimento sobre o mercado. De acordo com a especialista, universitários em início de carreira adotam o Tesouro Direto e a renda fixa como portas de entrada. Uma parcela desse grupo jovem também arrisca aplicações em renda variável. O avanço da informação consolida uma perspectiva de expansão contínua desses investimentos no país.