Foto: Aplhacode
Por muito tempo, oferecer crédito era como construir uma usina própria: caro, complexo, regulado e, na prática, restrito a poucos players. O que o Banking as a Service (BaaS) fez foi algo mais simples e poderoso. Transformou essa usina em uma rede elétrica: você não precisa gerar energia, basta se conectar. É exatamente por isso […]
Por muito tempo, oferecer crédito era como construir uma usina própria: caro, complexo, regulado e, na prática, restrito a poucos players.
O que o Banking as a Service (BaaS) fez foi algo mais simples e poderoso. Transformou essa usina em uma rede elétrica: você não precisa gerar energia, basta se conectar.
É exatamente por isso que empresas de diferentes setores, como varejo, logística, plataformas digitais, têm recorrido ao BaaS para antecipar crédito. E, mais recentemente, a nova regulação do Banco Central consolidou esse movimento.
Empresas sempre souberam quem são seus bons pagadores. Um marketplace conhece o vendedor que fatura regularmente. Um ERP sabe quem recebe em dia. Uma adquirente enxerga o fluxo de caixa quase em tempo real.
O problema nunca foi informação. Foi estrutura.
Sem BaaS, transformar esse conhecimento em crédito significava virar banco: licença, capital regulatório, compliance e supervisão. Um caminho longo demais para quem só queria resolver um problema imediato: liquidez.
Com o BaaS, essa lógica muda. A empresa continua conhecendo o cliente, mas quem opera o crédito é uma instituição autorizada. É como se a empresa fosse o “cérebro comercial” e o banco, o “sistema circulatório”.
E é justamente aí que a antecipação de recebíveis ganha eficiência: o crédito nasce dentro do fluxo natural do negócio.
Se antes o BaaS crescia na prática, agora ele passa a existir também no papel (e isso faz diferença!).
A Resolução Conjunta nº 16/2025 do Banco Central não só reconhece o modelo, como organiza a casa. Segundo o próprio BCB, o objetivo é dar mais segurança ao cliente e ao sistema financeiro, além de aumentar a transparência nas operações (Banco Central).
Na prática, a regra traz algo essencial: clareza.
Pode parecer básico, mas não era trivial. Antes, muitas estruturas funcionavam como “caixas-pretas”, com responsabilidades pouco evidentes.
Agora, é como trocar um contrato de gaveta por escritura registrada.
Talvez o maior efeito do BaaS não seja técnico, mas comportamental.
O crédito deixa de ser um produto isolado e passa a ser uma funcionalidade. Algo que acontece no momento certo, sem fricção.
Pense em um vendedor que acabou de realizar uma venda. Antes, ele precisava ir até um banco, pedir crédito, esperar análise. Agora, a oferta aparece ali mesmo, dentro da plataforma: quase como um botão de “quer antecipar?”
Essa mudança só funciona porque:
É o crédito deixando de ser uma “decisão extraordinária” e virando parte do fluxo.
De acordo com Marcelo Feltrin, Head of Financial Services da Luby Software, “as vantagens de utilizar um BaaS ou, no caso específico de crédito, um CaaS (Credit as a Service) ficaram mais relevantes ainda nos últimos tempos. Pois juntamente com as normas que dão mais clareza quanto a este tipo de serviço, também vieram outras normas que trazem diversas novas exigências às instituições supervisionadas. Do aumento do capital necessário ao maior rigor na operação, criar uma instituição que dependa de licença do Banco Central (Bacen) tornou-se um projeto mais difícil de se viabilizar. E este contexto favorece imensamente as empresas que queiram operar crédito através de um Baas/CaaS.”
Se o BaaS trouxe velocidade, a regulação trouxe freios, e isso é positivo.
A nova norma exige governança, gestão de riscos, compliance e transparência. Também permite que o Banco Central intervenha caso identifique problemas (Banco Central).
Em outras palavras: não basta conectar na “rede elétrica”. É preciso seguir o padrão técnico.
Isso tende a separar dois tipos de operação:
O resultado é um mercado menos improvisado e mais institucional.
Porque o BaaS resolve três problemas ao mesmo tempo:
No caso da antecipação de crédito, isso é especialmente relevante. A empresa não está criando demanda, está respondendo a uma necessidade que já existe.
O modelo também tem seus limites.
A dependência de parceiros regulados continua sendo um ponto crítico. O custo de compliance aumentou com a nova regulação. E a necessidade de governança passou a ser inegociável.
Além disso, há um risco estrutural: concentração em poucos provedores de infraestrutura. Ou seja, o BaaS não elimina complexidade, mas redistribui.
Assim como aconteceu com a internet, com a nuvem e com os meios de pagamento: o que realmente agrega valor é a forma como cada empresa incorpora e aplica isso no seu dia a dia.
Dito isso, finalizo o texto com a certeza de que o respeito às regras e à inovação são valores convergentes de mercado.