A historiadora Mary del Priore avalia que o mundo já começou a enfrentar, de forma direta, uma questão que o Brasil ainda evita discutir: como lidar com o fim da vida. Para ela, o avanço desse debate está ligado a duas mudanças principais, o envelhecimento da população e a transformação das famílias.
Em países como Suíça, Bélgica e França, a morte assistida já é uma realidade legal ou está em estágio avançado de discussão. Nesses locais, o tema é tratado, em geral, como uma decisão individual, relacionada ao direito de escolha sobre o próprio fim.
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Mary del Priore destaca que a estrutura familiar mudou de forma profunda nas últimas décadas. O modelo com várias gerações sob o mesmo teto perdeu espaço. Hoje, mais pessoas envelhecem sozinhas, o que impacta diretamente o cuidado no fim da vida.
Esse cenário pressiona os sistemas de saúde. Com mais pacientes em estado terminal, aumentam os desafios para garantir atendimento adequado. A discussão passa, então, a envolver não só questões éticas, mas também decisões práticas sobre recursos e prioridades.
Outro ponto central é o avanço da ideia de liberdade individual. Segundo a historiadora, cresce a visão de que decidir como morrer pode ser um direito. Em alguns casos, essa escolha aparece até mesmo sem doenças terminais, ligada ao medo de perda de autonomia.
No Brasil, o tema ainda enfrenta resistência, principalmente por fatores culturais e religiosos. Mesmo assim, especialistas apontam que o debate tende a ganhar espaço nos próximos anos, acompanhando as mudanças demográficas e o que já ocorre em outros países.