Com Flávio Bolsonaro ao centro, oposição comemora no plenário derrota do veto de Lula, que abre porta para reduzir pena do ex-presidente | Foto: Lula Marques/Agência Brasil
Deputados e senadores abrem caminho para diminuir pena de Bolsonaro e, em dois dias, infligem dupla derrota ao governo Lula; oposição celebra
Um day after amargo para o governo depois de o Senado rejeitar o nome de Jorge Messias para o STF (Supremo Tribunal Federal). O Congresso derrubou hoje o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no projeto da dosimetria da pena para os condenados do 8 de janeiro e outros pela tentativa de golpe no país.
A sessão foi novamente comandada por Davi Alcolumbre, agora um desafeto do Palácio do Planalto. O senador orquestrou a derrubada de Messias e conduziu a sessão de hoje de forma favorável aos bolsonaristas, quando sequer leu pedido de criação da CPI do Master, um acordo com os aliados do ex-presidente.
Lula havia vetado o projeto a favor da dosimetria da pena, entendido também como uma anistia aos condenados, em 8 de janeiro deste ano, um dia simbolicamente escolhido. O governo contava com essa medida de hoje. Em sessões do Congresso os votos de deputados e senadores são colhidos separadamente. Entre os deputados, 318 votaram a favor da derrubada do veto e 144 contra. Já entre os senadores, o placar foi de 49 votos pela rejeição do veto e 24 contra.
Entre os bolsonaristas, a celebração foi intensa e em torno de Flávio Bolsonaro, que era abordado o tempo inteiro para fotos. Familiares de presos e condenados pelos atos do 8 de janeiro acompanharam a sessão das galerias das Câmara. Nos discursos, a direita os classificava como “presos políticos”. Já na esquerda, eram tratados por “golpistas”.
A proposta pode reduzir a pena de Jair Bolsonaro, condenado a mais de 27 anos de cadeia. Pode diminuir seu tempo de prisão, calculado em cerca de 9 anos e cair para 2 a 3 anos. Há divergências entre juristas sobre esse cálculo e o quanto beneficiaria o ex-presidente.