Brasília (DF), 03/12/2024 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa do lançamento e implementação da Missão 1 do programa Nova Indústria Brasil (NIB), no Palácio do Planalto. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Após semana de dupla derrota e históricas, Planalto busca saídas, mas tem mais perguntas do que respostas sobre o que fazer
O governo entra numa nova fase a partir de amanhã. Fase de tentar salvar a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva. A dupla derrota, inédita, no Congresso deixou no ar um prenúncio de derrota em outubro. A aliança entre Davi Alcolumbre, bolsonaristas e até o ministro Alexandre de Moraes balançou as estruturas do Palácio do Planalto.
O governo tenta achar o prumo, entre muitas dúvidas e a procura de saídas imediatas. A rejeição ao nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal, e da maneira como foi, abriu a porteira para mais receios e pessimismo. Como sair dessa “tempestade perfeita”? Algumas perguntas, ou muitas, no ar:
1 – Resolve alguma coisa indicar logo outro nome para o lugar de Luís Roberto Barroso para o STF? Vai apagar a derrota fragorosa imposta pelo conchavo interesseiro do presidente do Congresso com Flávio Bolsonaro e algozes do STF?
2 – Trocar lideranças do governo no Congresso, onde foram apontados culpados, vai mudar o panorama? Será que já não está constituída uma frente contra o governo?
3 – Romper ou ir para cima de Davi Alcolumbre é a solução? Ou deixa como está? O governo, afinal, precisa de aprovar matérias importantes também no Senado, caso do fim da jornada de trabalho 6×1, que Hugo Motta está acelerando na Câmara.
4 – Sobre Rodrigo Pacheco, o que fazer? É fato que o ex-presidente do Senado não se empenhou nem um pouco por Messias. Na sabatina, deram um abraço protocolar. Longe dos efusivos cumprimentos de Alcolumbre com Flavio Bolsonaro e deputados e outros senadores aliados do ex-presidente. Pacheco se filiou ao PSB no dia que Lula enviou a mensagem de Messias ao Senado. Por Lula, Pacheco segue candidato a governador em Minas Gerais. Muitos petistas já não fazem questão e pensam em alternativas. E o senador também não definiu se será.
5 – Faz alguma diferença para onde Messias seguirá agora? Se segue ou não como Advogado-Geral da União (AGU) ou se será deslocado para o Ministério da Justiça? Parece difícil que essa iniciativa faça alguém mudar de voto.
6 – É solução também entrar em confronto com o Congresso? Do tipo #Congressopicareta, ou algo do gênero? Deu certo ano passado, mas, hoje, muito arriscado.
7 – Investir em novos programas parece a solução mais rápida. Amanhã, segunda, será anunciado do Desenrola 2, medida esperada por parte da população, que poderá reduzir ou sanar suas dívidas, usando o FGTS. Quem aderir, estará proibido por um ano de jogar em Bets, uma medida salutar que pode até agradar os evangélicos, ferrenhos críticos da jogatina.
Em suma: uma incógnita o cenário político. Lula perdeu aquele favoritismo todo, mas Flávio Bolsonaro está longe de ter uma eleição garantida, como tem dado sinal acreditar.