Durante sabatina no Senado, Jorge Messias chorou e embargou a voz várias vezes; governo se mobiliza para evitar derrota ! Foto: Evandro Éboli/MyNews
MESSIAS PASSA?
Jorge Messias chora e embarga voz, diz que ser evangélico é uma benção, contrário ao aborto, mas não se compromete com código de ética no STF
Nas primeiras quatro horas de sua sabatina no Senado, o advogado-geral da União Jorge Messias chorou e embargou a voz por pelo menos sete vezes. Um comportamento que surpreendeu os presentes, até mesmo parlamentar da base do governo, que, reservadamente, mostrou incômodo.
Sobre o conteúdo de sua fala, Messias afirmou ser “totalmente contra o aborto” e que agiu a favor da prisão dos golpistas do 8 de janeiro por “dever do cargo”. Os bolsonaristas naqueles atos foram detidos por decisão dele, “mas pedi prisão em flagrante e não preventiva (que é mais gravosa)”, afirmou.
Sob o risco de ter seu nome vetado pelo plenário do Senado, Messias começou sua fala dando bom dia até para Davi Alcolumbre, que não estava na CCJ, onde se dá a sabatina. O presidente do Senado é considerado decisivo para os rumos da indicação do AGU.
Ele chorou e embargou a voz quando falou de sua família, de seu ingresso na faculdade, em 1998, e quando disse ser filho da classe média e não ter padrinhos. E até quando foi acolhido por Jaques Wagner no Senado, onde trabalhou.
Messias foi evasivo nas respostas da oposição. O senador Magna Malta (PL-ES) quis saber se ele concordava com a condenação da Débora Rodrigues dos Santos, bolsonarista que pixou a estátua da Justiça com a expressão “perdeu, mané”, com um batom. O sabatinado não respondeu.
Flávio Bolsonaro fez vários questionamentos, entre os quais se era verdade que se sua condução ao STF for rejeitada o governo agirá para impedir a derrubada do veto de Lula ao projeto de dosimetria da pena dos condenados pela tentativa de golpe, que será votado amanhã. Ele não respondeu.
O presidenciável do PL fez ataques ao governo e disse que o julgamento dos atos golpistas no STF foi uma “farsa” e que as denúncias de centenas dos condenados foram elaboradas com base no “copia e cola” uma da outra. E lembrou uma fala antiga de Messias que era contra projeto de anistia. Na sabatina, Messias afirmou que anistia é um tema do Congresso Nacional.
O sabatinado evitou se comprometer com a defesa de um código de ética no STF. Mais uma vez tergiversou e afirmou que seu principal código de ética é a Constituição, o segundo é seu currículo e o terceiro sua história. Enfatizou que ser evangélico é uma “benção na minha identidade” e disse ser um “brasileiro comum indicado ao STF pelo presidente da República”.
O relator do seu processo na CCJ, senador Weverton Rocha (PDT-MA), fez um apelo à oposição para não rejeitar Messias para atingir o presidente Lula.
“Não encerrem a carreira de um servidor por isso. Deixem o ringue político para outubro, quando teremos eleições”, disse Weverton.