Como o aço começa a transformar a construção civil no Brasil

Como o aço começa a transformar a construção civil no Brasil

Tamanho do texto:

Impulsionados por aplicativos e redes sociais, jovens trocam a poupança pela renda fixa em busca de retornos acima da inflação

A imagem tradicional da obra brasileira associada ao uso intensivo de tijolo, areia e cimento começa a dar lugar a estruturas industrializadas. O sistema de light steel frame, que substitui a alvenaria por perfis de aço galvanizado e placas estruturais, responde por aproximadamente 3% do mercado de construção no Brasil. Embora pareça modesto, o percentual sinaliza um avanço relevante para um setor historicamente conservador.

O crescimento da tecnologia movimenta uma cadeia industrial robusta. Exemplo dessa expansão, a Espaço Smart atua no segmento de construção a seco e projeta atingir um faturamento de R$ 1,2 bilhão em 2026. Para sustentar esse avanço, empresas do setor investem na ampliação de redes de distribuição e na capacitação de mão de obra especializada.

Mercado imobiliário global impulsiona conceito de bem-estar e transforma alto padrão

Em análise no programa Papo de Imóvel, o especialista Mário Fernandes destacou o avanço da metodologia e o debate para sua aplicação em programas habitacionais como o Minha Casa, Minha Vida. “Se essa tecnologia conseguir ganhar escala nesse segmento, podemos ter uma transformação importante no mercado imobiliário brasileiro, porque uma das principais vantagens do steel frame é justamente a velocidade de construção”, afirmou.

Eficiência operacional e sustentabilidade

As vantagens da construção a seco residem no ganho de previsibilidade e na redução do tempo de execução. Como os componentes chegam pré-fabricados ao canteiro de obras, o processo de montagem reduz desperdícios e otimiza prazos. Sob a ótica ambiental, levantamentos do setor indicam uma diminuição expressiva no consumo de água e na geração de resíduos sólidos.

As vantagens da construção a seco residem na previsibilidade e na agilidade. Visto que os componentes chegam prontos ao canteiro de obras, o processo de montagem reduz desperdícios. Do mesmo modo, sob a ótica ambiental, ocorrem quedas no consumo de água e na geração de resíduos.

Contudo, a tecnologia não assegura custos de execução sempre inferiores aos da alvenaria tradicional. Por isso, o valor final do projeto depende de logística, insumos e escala. Ainda assim, o ganho de tempo gera retornos expressivos para as incorporadoras e também para os compradores.

Desafios para a consolidação no país

A expansão do steel frame no Brasil enfrenta obstáculos práticos para sair do nicho de mercado. A escassez de mão de obra qualificada, a necessidade de maior formação técnica e a adaptação das linhas de financiamento habitacional figuram entre as principais barreiras. Além disso, o setor lida com a resistência cultural do consumidor e de construtores habituados ao modelo tradicional.

Apesar dos gargalos operacionais, os aportes financeiros e o interesse da habitação de interesse social indicam a consolidação do sistema no país. O avanço da industrialização sugere que a modernização do canteiro de obras brasileiro deixará de depender do cimento para se estruturar sobre peças de aço de alta precisão.

Relacionados