Como proteger seus investimentos em tempos de inflação alta? Reajuste no valor do salário mínimo proposto pelo governo apenas segue a inflação. (Foto: Pixabay)

Como proteger seus investimentos em tempos de inflação alta?

Arnaldo Curvello, sócio-diretor da Galápagos fala sobre os melhores investimentos em tempos de aumento de preços de bens e serviços

00:00
  • Em 14 de abril, Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, afirmou que a Selic será ajustada conforme necessário, sem mudar o plano monetário a cada alta da inflação.
  • A inflação acumulada em 12 meses chegou a 9,68%, e de janeiro a julho foi de 8,99%, próximo de dois dígitos.
  • Arnaldo Curvello, sócio‑diretor da Galápagos, recomendou investimentos atrelados à inflação ou ao Tesouro Direto como proteção diante desse cenário.
  • Títulos do Tesouro Direto de 5 anos pagam inflação mais 4,5% e podem ser isentos de IR, tornando‑se atrativos em ambiente inflacionário elevado.

Na manhã desta quarta-feira (14), o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto afirmou que não vai mudar o plano monetário a cada alta da inflação, mas deu ênfase que a taxa básica de juros será levada até onde precisar para alcançar a meta da inflação, nas palavras dele: “Vamos levar a Selic aonde precisar, mas não vamos reagir sempre a dados de alta frequência”.

No acumulado de 12 meses, a inflação chegou a 9,68% e, de janeiro a julho, é de 8,99%. Em entrevista ao MyNews Investe, o sócio-diretor da Galápagos, Arnaldo Curvello, comentou que dessa vez Campos foi mais suave que em sua manifestação anterior, quando disse que fariam qualquer coisa para trazer a inflação para o centro da meta.

Superfundos
Investimentos atrelados à inflação ou ao Tesouro Direto podem ser interessantes/Imagem: Pixabay

Com inflação chegando a dois dígitos, uma forma de proteger os investimentos é colocar os recursos em investimentos atrelados à inflação ou ao Tesouro Direto. “Em função do cenário de inflação, ainda gosto dos títulos de renda fixa que estão atrelados à inflação ou ao tesouro, onde se você pegar um título de 5 anos do Tesouro, ele tem uma inflação mais 4,5%,  que é bastante interessante”.

Curvello acrescenta que no Tesouro Direto existem alternativas de títulos isentos de Imposto de Renda e que essa condição faz diferença quando a inflação está alta. “A inflação dos últimos 12 meses foi próxima de 9,7%, ou seja, quase 10%. No título que paga 20% de Imposto de Renda, pagou 2% só de imposto sobre inflação; num título isento você ganha 2% a mais, além de todo o excedente da inflação, isento de imposto. CRIS, CRAS e as debêntures incentivadas ganham ainda mais competitividade no ambiente de inflação alta”.

Investimentos em títulos é mais seguro do que algumas pessoas pensam

Mesmo assim, ainda há pessoas que têm medo de investir em títulos do governo em tempos de incertezas, pensando na possibilidade de o governo dar o calote na hora de pagar o que o investimento prometia e medo até mesmo de resgatar um valor menor do que colocou no início do investimento. Curvello argumenta que o governo tem uma coisa que ninguém mais tem: a possibilidade de imprimir mais dinheiro.

“Imaginar que o governo não vai deixar de honrar a dívida pública é quase impossível de acontecer e se você tiver um título de inflação, o que vai acontecer é a inflação voltar a subir. A gente sabe que se tiver um descontrole muito grande das contas públicas, a inflação vai subir e pode subir bastante. Não acho que é o cenário que a gente está vivendo agora, só que um título atrelado à inflação sempre vai te proteger, não haverá risco de calote, na minha opinião, é pouquíssimo provável, para não dizer zero”.

Veja o MyNews Investe de segunda a sexta, a partir do meio-dia, no Canal MyNews.

Relacionados