Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil -
economia
Decisão foi unânime e marcou o início do ciclo de afrouxamento monetário, em meio a incertezas externas e pressão sobre a inflação.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (18) reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, de 15% para 14,75% ao ano. A decisão ficou em linha com a maior parte das expectativas do mercado e foi tomada de forma unânime pelos integrantes do colegiado.
O movimento marca o início de um ciclo de queda dos juros após um período prolongado de manutenção da Selic no mesmo patamar. A redução, no entanto, veio em ritmo mais cauteloso do que parte dos analistas projetava semanas atrás, diante do aumento das incertezas no cenário internacional, especialmente por causa da guerra no Oriente Médio e de seus efeitos sobre o petróleo, o câmbio e as expectativas inflacionárias.
No comunicado, o Banco Central indicou que o ambiente externo se tornou mais incerto e elevou sua projeção de inflação para 2026, de 3,4% para 3,9%. Para o terceiro trimestre de 2027, horizonte relevante da política monetária, a estimativa subiu de 3,2% para 3,3%, reforçando a avaliação de que o processo de flexibilização deve seguir com prudência.
Para o economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Ulisses Ruiz de Gamboa, a decisão reflete um equilíbrio entre pressões ainda presentes sobre os preços e sinais de desaceleração da atividade econômica. Segundo ele, apesar da inflação corrente acima da meta, em um contexto de expansão fiscal, mercado de trabalho resiliente e aumento das incertezas externas, pesou mais a perspectiva de perda de fôlego da economia, o que tende a reduzir a pressão inflacionária.
Ruiz de Gamboa afirma ainda que o comunicado divulgado pelo Copom será essencial para avaliar os fundamentos da decisão e os próximos passos da autoridade monetária. “Será muito importante considerar o comunicado após a divulgação da resolução do Copom, para avaliar as causas da decisão, se esta foi unânime, e se haverá alguma sinalização sobre o ritmo do ciclo de redução dos juros básicos”, conclui o economista.