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Investidores estrangeiros migram para ativos globais de tecnologia enquanto o varejo brasileiro enfrenta recordes de recuperações judiciais e estagnação
Revelações recentes envolvendo nomes ligados ao governo atual e à gestão anterior deixaram de impactar a precificação de ativos na bolsa brasileira. Segundo Josias Bento, sócio da GT Capital, o mercado financeiro já se habituou aos recorrentes episódios de tensão política no país. Os investidores estrangeiros direcionam o capital para empresas globais de tecnologia e inteligência artificial devido a fatores estritamente macroeconômicos. A deterioração de indicadores operacionais como o IBC-Br e a incerteza fiscal contínua motivam a saída do capital internacional. O fluxo de liquidez reduzido afeta a bolsa de valores e reduz o interesse do capital externo em mercados emergentes.
A manutenção da taxa básica de juros em dois dígitos por quase cinco anos impõe sérias dificuldades para a operação de empresas nacionais. Setores dependentes do financiamento de longo prazo enfrentam forte pressão nas margens operacionais devido aos elevados custos financeiros. A rede Casas Bahia ingressou em pedido de recuperação judicial após gerar resultados operacionais positivos consumidos pelas despesas com juros. O modelo de vendas parceladas exige captação de recursos a taxas significativamente superiores à Selic básica. Inadimplência crescente e restrição de crédito ampliam o risco de falências em todo o segmento varejista.
A fragilidade macroeconômica resultou no menor volume de ofertas públicas iniciais e no encerramento prematuro de capital aberto por empresas. Desde o ano de 2021 nenhuma companhia estreou na bolsa brasileira por meio da realização de um IPO tradicional. O ambiente de negócios registra o maior índice histórico de solicitações de recuperação judicial e ofertas públicas de aquisição. Os concorrentes na disputa eleitoral evitam apresentar planos concretos para o controle de gastos e reajuste do orçamento público. A adoção de discursos populares nas campanhas impede o debate sério sobre as reformas estruturais necessárias para conter a inflação.
A persistência da inflação aliada ao elevado risco de crédito exige a manutenção de uma política monetária restritiva no longo prazo. Declarações recentes de autoridades do Banco Central indicam que a contenção da demanda agregada exige ajustes na oferta produtiva. O descompasso fiscal permanente reduz a disponibilidade de recursos públicos para investimentos essenciais e programas de desenvolvimento. A desorganização do orçamento federal permanece como o fator primário para a manutenção de juros altos no cenário nacional. Sem uma reforma administrativa profunda o país manterá a trajetória de estagnação económica e encarecimento do crédito.