Manifestantes de direita se reúnem na Praça do Cruzeiro, em Brasília, onde ocorrerá um ato no final da tarde pela anistia ! Foto: Apolos Batista/Ascom Zucco
Mobilização iniciada pela caminhada do deputado Nikolas Ferreira deve reunir milhares de bolsonaristas a favor da anistia, em Brasília
Manifestantes da direita voltam às ruas em Brasília neste 25 de janeiro, num ato que deverá reunir milhares de seguidores de Jair Bolsonaro na Praça do Cruzeiro, perto da catedral Rainha da Paz e do Quartel-General do Exército, que foi palco da mobilização de militantes desse grupo após a vitória de Lula e de onde partiram e protagonizaram as cenas do 8 de janeiro de 2023.
A expectativa dos organizadores é de reunir cerca de 500 mil pessoas. Bolsonaristas de vários estados seguem para o local. Essa mobilização está sendo puxada pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que há dias lidera uma caminhada de 250 quilômetros desde Minas Gerais.
O movimento foi batizado de “Acorda Brasil” e tem a finalidade de mobilizar os manifestantes em defesa da prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, a favor da derrubada do veto de Lula no projeto da dosimetria e insistir na anistia para todos os condenados pelos ataques do 8 de janeiro e daqueles condenados por arquitetarem uma tentativa de golpe de estado.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), vetou qualquer concentração nas proximidades do Complexo da Papuda, onde Jair Bolsonaro está preso.
Essa iniciativa fortalece politicamente Nikolas Ferreira, que andava afastado do clã dos Bolsonaro. Até o ano passado, ele defendia o nome do governador Tarcísio de Freitas como o presidenciável da direita nesta disputa contra Lula pelo Palácio do Planalto. Mudou o discurso, diz que Bolsonaro é o maior líder da direita e apoia agora a candidatura de Flávio Bolsonaro, sobre quem diz que “carrega a imagem da “pacificação nacional”.
Esse ato deverá ser um dos maiores atos de concentração de bolsonaristas dos últimos meses e reúne lembranças do período pré-8 de janeiro. Em entrevista à Folha de S. Paulo, o presidente da Câmara, Hugo Motta, afirmou que conversou com Nikolas e que não há risco de uma nova invasão aos prédios dos Poderes, como ocorreu em 2023. O Palácio do Planalto foi cercado por gradis.
A previsão é que os manifestantes não sigam as proximidades do Planalto, do Congresso e nem do STF, onde há um esquema de segurança. Não é aguardada no ato a presença de Michelle Bolsonaro, que está em tratativas com Alexandre de Moraes para tentar a prisão domiciliar do marido. A ex-primeira-dama teria decidido a não se expor nesse momento.