Erika Hilton durante a escolha de seu nome para presidir a Comissão da Mulher da Câmara | Foto: Evandro Éboli/MyNews
Deputados bolsonaristas atuaram para impedir que Erika Hilton (PSol-SP) fosse eleita presidente da Comissão da Mulher da Câmara
O bolsonarismo se expôs hoje com sua pauta de costumes e proclamada defesa da família, e seu conceito de constituição e gênero, que, para esse grupo, só existem dois. A deputada trans Erika Hilton (PSol-SP) sofreu dura oposição da bancada do PL na sua condução à presidência da Comissão da Defesa dos Direitos da Mulher.
O MyNews acompanhou toda as horas de sessão na qual se deu essa votação. Os aliados de Jair Bolsonaro, que pregam que mulher é quem “gera, amamenta e menstrua”, disse a deputada Clarissa Tércio (PP-MA), tentaram impedir a ascensão de Erika ao posto. Numa primeira votação, até venceram, com 12 votos em branco versus 10 a favor da deputada psolista. Mas foi insuficiente.
A parlamentar só ingressou no plenário de comissões que se dava o processo quando consumado o resultado. Era possível votar de forma remota. Se preservou, inicialmente. Empossada, rebateu aos argumentos do grupo adversário.
“As mulheres violentadas, estupradas, espancadas esperam dessa comissão uma responsabilidade efetiva. Vamos lembrar aqui, sim, queiram ou não queiram, que mulheres transexuais e travestis não serão abandonadas nessa discussão e não me importa a vontade de quem quem quer que seja. Acabou o tempo dos que acham que não temos lugar no mundo. Chegamos para ficar e fazer uma reparação histórica”, disse Erika Hilton, que criticou seus opositores a sequência.
“Não aceitamos mais ficar invisibilizadas. Se para algumas Vossas Excelências, o que importa é o que diz a biologia recomendo que vá discutir isso lá no Departamento de Biologia. Aqui, vamos discutir as mulheres pobres, pretas, trans, cis, mães, que amamentam. Todas as mulheres sem exceção na sua pluralidade”, disse a nova presidente da Comissão da Mulher.
Do lado da oposição, o discurso mais ofensivo foi de Clarissa Tércio (PP-AM), que afirmou que Erika não representava as mulheres por ser uma transexual.
“Somos obrigadas a aceitar algo que nosso eleitorado , na sua maioria conservador, não nos solicita fazer. A mulher brasileira tem que ter suas necessidades representadas por mulheres. Como eu posso ser representada por uma pessoa que não entende o que eu passo. Como vamos colocar aqui uma mulher que nunca gerou, nunca amamentou, nunca menstruou. Que não sabe o que é saúde da mulher. Isso é muito claro para todos nós. Essa comissão nasceu para dar voz para as mulheres. Só quem vive essa realidade é que tem propriedade para falar sobre elas. O maior absurdo é ver mulheres biológicas concordando com isso”, disse Clarissa Tércio.