Lula: Brasil é alvo de “chantagem inaceitável” e os Bolsonaro são “traidores da Pátria” © Divulgação/PR

Lula: Brasil é alvo de “chantagem inaceitável” e os Bolsonaro são “traidores da Pátria”

Em pronunciamento na TV, presidente ainda ameaçou aplicar a Lei de Reciprocidade contra os EUA, fez uma defesa do Pix e ameaças às big techs

Num pronunciamento em rede nacional de quase cinco minutos, na noite desta quinta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou sobre a ameaça de Donald Trump em taxar os produtos brasileiros em 50% e que, em vez do diálogo, o que veio dos Estados Unidos foi uma “chantagem inaceitável”, com ameaças às instituições brasileiras e informações falsas sobre o comércio entre os dois países.

“O Brasil sempre esteve aberto ao diálogo. Fizemos mais de 10 reuniões com o governo dos Estados Unidos, e encaminhamos, em 16 de maio, uma proposta de negociação. Esperávamos uma resposta, e o que veio foi uma chantagem inaceitável, em forma de ameaças às instituições brasileiras, e com informações falsas sobre o comércio entre o Brasil e os Estados Unidos”.

Lula saiu em defesa do Supremo Tribunal Federal (STF), atacado por Trump por promover uma ação penal que deve levar Jair Bolsonaro à prisão e que se trata de um grave atentado à soberania.

“Contamos com um Poder Judiciário independente. No Brasil, respeitamos o devido processo legal, os princípios da presunção da inocência, do contraditório e da ampla defesa. Tentar interferir na justiça brasileira é um grave atentado à soberania nacional”.

 

O pronunciamento foi intercalado por música de fundo e imagens de brasileiros trabalhando, dando um tom distinto para esse tipo de anúncio, mais parecido com um programa do horário eleitoral.

 

“Minha indignação é ainda maior por saber que esse ataque ao Brasil tem o apoio de alguns políticos brasileiros. São verdadeiros traidores da pátria. Apostam no quanto pior, melhor. Não se importam com a economia do país e os danos causados ao nosso povo”.

O presidente defendeu a atuação do país em relação a abusos das plataformas digitais que operam no Brasil, que são obrigadas a cumprir as regras.

“No Brasil, ninguém — ninguém — está acima da lei. É preciso proteger as famílias brasileiras de indivíduos e organizações que se utilizam das redes digitais para promover golpes e fraudes, cometer crime de racismo, incentivar a violência contra as mulheres e atacar a democracia, além de alimentar o ódio, violência e bullying entre crianças e adolescentes, em alguns casos levando à morte, e desacreditar as vacinas, trazendo de volta doenças há muito tempo erradicadas”.

Abaixo, a íntegra do pronunciamento de Lula:

No seu pronunciamento, Lula também citou o diálogo do seu governo com com representantes dos setores produtivos, sociedade civil e sindicatos, com empresários da indústria, do comércio, do setor de serviços, do setor agrícola e também os trabalhadores.

“Seguiremos apostando nas boas relações diplomáticas e comerciais, não apenas com os Estados Unidos, mas com todos os países do mundo”.

O presidente voltou a dizer que são mentirosas as afirmações de Trump de que a balança comercial entre os dois países desfavorece os americanos.

“A primeira vítima de um mundo sem regras é a verdade. São falsas as alegações sobre práticas comerciais desleais brasileiras. Os Estados Unidos acumulam, há mais de 15 anos, robusto superávit comercial de US$ 410 bilhões de dólares”.

No dia seguinte a aprovação do projeto de lei da devastação pela Câmara, que flexibiliza e muito as regras de licenciamento ambiental no país, Lula disse que o Brasil hoje é referência mundial na defesa do meio ambiente.

“Em dois anos, já reduzimos pela metade o desmatamento da Amazônia. E estamos trabalhando para zerar o desmatamento até 2030”.

E fez uma defesa firme do Pix, sob ameaça de investigação e ameaça dos Estados Unidos.

“Além disso, o Pix é do Brasil. Não aceitaremos ataques ao Pix, que é um patrimônio do nosso povo. Temos um dos sistemas de pagamento mais avançados do mundo, e vamos protegê-lo”.

E ameaçou com a aplicação da Lei de Reciprocidade.

“Se necessário, usaremos todos os instrumentos legais para defender a nossa economia. Desde recursos à Organização Mundial do Comércio até a Lei da Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional. Não há vencedores em guerras tarifárias. Somos um país de paz, sem inimigos. Acreditamos no multilateralismo e na cooperação entre as nações. Mas que ninguém se esqueça: o Brasil tem um único dono — o povo brasileiro”.

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