‘Atacar jornalista na internet dá ibope’, diz co-fundadora da Agência Pública Jornalista Natalia Viana concede entrevista à Mara Luquet | Foto: Reprodução/MyNews POPULISMO DIGITAL

‘Atacar jornalista na internet dá ibope’, diz co-fundadora da Agência Pública

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Natália Viana afirmou não saber ao certo por que isso ocorre, mas acredita que há uma rejeição ao jornalismo que pode ser geracional

Os chamados “populistas digitais” perceberam que atacar jornalistas nas redes sociais dá ibope e batem nessa tecla para ganhar engajamento, afirmou ao MyNews a jornalista Natália Viana, co-fundadora e diretora executiva da Agência Pública, agência de jornalismo investigativo independente. Em entrevista à Mara Luquet, Natalia afirmou não saber ao certo por que isso ocorre, mas acredita que há uma rejeição ao jornalismo que pode ser geracional. “Populista digital”, explica, é um termo atribuído a uma pessoa que usa a própria popularidade nas redes para criar polêmicas e se projetar, como é o caso do ex-presidente Donald Trump.

“Acho que as pessoas mais novas identificam o jornalismo como uma instituição, como grandes corporações, o que obviamente não é o nosso caso”, afirma Natália. “No bojo desse sentimento antissistema, se atacam grandes corporações, como a Rede Globo, que devem ser criticadas, claro, mas também se joga o jornalismo fora, e o jornalismo é essencial. As pessoas acham que elas podem abrir mão do jornalismo, mas não podem.”

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Para Natália, um período que evidenciou com muita clareza a importância do jornalismo para a sociedade foi a pandemia que, inclusive, fortaleceu a credibilidade da imprensa perante a população global. Segundo pesquisa do Instituto Reuters, a confiança na informação dada pela mídia aumentou em média 6 pontos do início da pandemia, em março de 2020, até junho de 2021, chegando a 44% no geral.

À época, as pessoas ficaram recolhidas dentro de suas casas. Dependeram exclusivamente dos grandes canais de mídia para se manterem informadas sobre a situação da doença, que fez centenas de milhares de vítimas por todo o Brasil. Para já jornalista, a Globo, por exemplo, teve importância fundamental nesse processo. O papel do jornalismo é não só trazer informação de qualidade, mas também monitorar as autoridades e representar os interesses da população quando necessário.

“Na pandemia, as pessoas entenderam que é preciso, o tempo todo, ter alguém avaliando se uma informação é verdadeira ou não, que informação está sendo escondida, se o governo está cumprindo metas, se tem corrupção, se não tem. O jornalista é quem monitora o governo em nome do povo e conta quando alguma coisa está errada”, diz.

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