Gastando como se não houvesse amanhã Plenário do Senado; Congresso Nacional/Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil PEC Kamikaze

Gastando como se não houvesse amanhã

O desfecho da gastança governamental, no médio e longo prazo já está definido: aumentarão impostos, dívidas e inflação. Eventualmente os três juntos, combinados com uma crise recessiva.

00:00
  • A PEC Kamikaze tem sido duramente criticada por especialistas e pela oposição, que a consideram insustentável.
  • O projeto amplia gastos públicos em todas as esferas – federal, estadual e municipal – fora de períodos eleitorais.
  • Benefícios sociais consolidados, sobretudo no Nordeste, impedem que partidos de esquerda usem a ameaça de corte como estratégia eleitoral.
  • Analistas preveem que o aumento de despesas resultará em mais impostos, dívida e inflação, podendo gerar recessão.

A chamada “PEC Kamikaze” tem sido objeto de justas críticas por boa parte dos especialistas e da oposição, que acordou (tardiamente) para o problema.

A tentativa de influenciar eleições com “bondades” para o eleitorado não vem de hoje. Aliás, os benefícios sociais hoje distribuídos, principalmente para o Nordeste, estão de tal forma institucionalizados que nenhum partido de esquerda poderá usar na campanha eleitoral a ameaça de “cancelamento” desses benefícios por direitistas desalmados.

O cerne do problema, entretanto, não está no uso eleitoral eticamente reprovável. Ele se encontra nos gastos crescentes em todos os níveis da administração pública fora do período eleitoral: tanto no governo Federal, quanto nos estaduais e municipais. Há capitais importantes do país em que a maior parte da população economicamente ativa trabalha para órgãos dos governos ou empresas públicas. Isso, aliado à má gestão dos recursos, funciona como uma verdadeira âncora que impede o crescimento econômico.

O desfecho da gastança governamental, no médio e longo prazo já está definido: aumentarão impostos, dívidas e inflação. Eventualmente os três juntos, combinados com uma crise recessiva.

Que o eleitor em 2022 tenha sabedoria em escolher candidatos comprometidos com a redução e racionalização dos gastos. E que, findo o pleito, esses mesmos eleitores cobrem permanentemente dos eleitos o cumprimento da promessa…

 

*Cândido Prunes é advogado, pós graduado em Direito Econômico pela Universidade de São Paulo e no programa executivo de Darden – Universidade de Viriginia, é autor de “Hayek no Brasil”.