Mercado pressiona por nome fiscalista em novo governo Lula Ministério da Fazenda na Esplanada dos Ministérios em Brasília | Foto: Washington Costa/MF Almoço Do MyNews

Mercado pressiona por nome fiscalista em novo governo Lula

Economista afirma que Rafael Fonteles ganhou força como possível ministro da Fazenda mais por pressão do mercado e da imprensa do que por uma indicação concreta do governo

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  • O mercado pressiona o governo Lula a nomear um ministro da Fazenda mais fiscalista no novo mandato.
  • O economista Eric Gil Dantas destaca que a discussão sobre juros também deve integrar a escolha.
  • Rafael Fonteles, governador reeleito do Piauí, ganhou destaque nas últimas semanas como possível candidato.
  • Dantas afirma que a imprensa e o mercado têm promovido Fonteles mais que o próprio governo.

A escolha do ministro da Fazenda será uma das principais decisões do novo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. O governo terá de equilibrar as contas públicas sem reduzir benefícios sociais. Para o economista e doutor em Ciência Política Eric Gil Dantas, os juros também precisam entrar nessa discussão.

Em entrevista ao Almoço MyNews nesta quinta-feira (5), Eric avaliou a disputa em torno do comando da equipe econômica. Ele chamou atenção para o espaço que Rafael Fonteles ganhou nas últimas semanas.

O governador do Piauí foi reeleito e precisaria deixar o cargo para assumir um ministério. Além disso, Eric questiona a relação entre Fonteles e o programa econômico que venceu a eleição.

Segundo o economista, a imprensa e o mercado deram mais destaque ao nome de Fonteles do que o próprio governo. “Foi muito mais uma vontade da imprensa e do mercado de alguém mais fiscalista”, afirmou.

Eric também relacionou a discussão sobre a Fazenda ao resultado da eleição presidencial. Na avaliação dele, parte do mercado apostou na vitória de Flávio Bolsonaro. A derrota do candidato, portanto, mudou o cenário para esses setores.

Pressão por uma política mais fiscalista

Para Eric, a projeção de Fonteles pode representar uma tentativa de pressionar o governo Lula. O objetivo seria aproximar a política econômica das expectativas do mercado financeiro.

“O programa do mercado financeiro foi derrotado na urna”, afirmou o economista.

Ele considera que a escolha de um nome mais fiscalista poderia reduzir a distância entre o resultado das urnas e as expectativas do mercado. Nesse sentido, a discussão sobre Fonteles também envolve uma disputa sobre os rumos da política econômica no novo governo.

Além disso, Eric considera importante observar o momento político de Fonteles. O governador acabou de conquistar um novo mandato no Piauí. Por isso, segundo o economista, seria necessário entender por que ele deixaria o governo estadual para assumir a Fazenda.

Juros continuam no centro do debate

Eric também destacou o peso dos juros nas contas públicas. Para ele, o debate sobre o ajuste fiscal não pode tratar apenas do controle das despesas. É preciso considerar também o custo financeiro da dívida.

Por isso, o próximo ministro da Fazenda terá de lidar com uma equação complexa. De um lado, haverá a pressão por responsabilidade fiscal. De outro, o governo precisará preservar investimentos e políticas sociais.

Nesse cenário, a escolha do ministro poderá indicar a direção econômica do segundo mandato de Lula. O nome escolhido também deverá sinalizar como o governo pretende negociar com o Congresso e responder às expectativas do mercado financeiro.

Para Eric, portanto, a disputa pela Fazenda vai além da escolha de um ministro. Ela envolve o modelo de ajuste fiscal que o governo pretende adotar e o espaço que terá para manter políticas sociais diante do cenário de juros elevados.

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