Trump e Lula / Fotos: Reprodução (Instagram)/Ricardo Stuckert (PR)
Almoço Do MyNews
Em entrevista ao Almoço MyNews, ex-embaixador avalia que eleições legislativas americanas podem limitar o poder de Trump, mas não necessariamente mudar suas prioridades em relação ao Brasil.
As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, conhecidas como midterms, podem ter consequências importantes para a política externa americana. Em entrevista ao Almoço MyNews, nesta terça-feira (3), o diplomata e economista Sérgio Florêncio analisou os possíveis reflexos da disputa para o Brasil. Segundo ele, o resultado pode alterar a relação de forças no Congresso e influenciar as decisões do governo de Donald Trump.
Tradicionalmente, as eleições de meio de mandato representam um risco de perda de espaço político para o presidente em exercício. Caso os democratas avancem no Congresso, Trump poderá enfrentar mais dificuldades para aprovar medidas e conduzir sua agenda. Além disso, uma mudança na composição legislativa pode ampliar a fiscalização sobre o governo.
Para Florêncio, essa possibilidade merece atenção especial no caso brasileiro. Isso porque uma das prioridades da política externa de Trump é reduzir a influência chinesa na região. Nesse contexto, o Brasil ocupa uma posição estratégica. Afinal, o país mantém relações comerciais importantes com a China e também possui peso diplomático na América Latina.
O diplomata também chamou atenção para as consequências internas de uma eventual perda de poder republicano. Segundo ele, Trump poderia se tornar alvo de investigações mais aprofundadas sobre denúncias de corrupção e abuso de poder. No entanto, mesmo com uma eventual redução de sua força política, o presidente ainda poderia recorrer ao argumento da segurança nacional para justificar suas decisões. Dessa forma, poderia defender a manutenção de uma política externa mais assertiva, especialmente em relação à influência chinesa.
Por isso, Florêncio avalia que as midterms de 2026 terão reflexos importantes para o Brasil. Embora o resultado possa limitar a capacidade de articulação de Trump, a disputa não significa necessariamente uma mudança nas prioridades estratégicas dos Estados Unidos. Assim, o governo brasileiro terá de acompanhar os desdobramentos eleitorais e seus possíveis efeitos sobre as relações diplomáticas e comerciais entre os dois países.