Ex-aliada de Bolsonaro, Soraya Thronicke denuncia o que chama de “seita bolsonarista” Foto: reprodução

Ex-aliada de Bolsonaro, Soraya Thronicke denuncia o que chama de “seita bolsonarista”

Senadora afirma que o movimento bolsonarista sequestrou a direita, critica o culto à figura de Jair Bolsonaro e defende a reconstrução de um campo conservador comprometido com as instituições democráticas

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  • Senadora Soraya Thronicke (Podemos‑MS) afirmou em entrevista ao MyNews que o bolsonarismo é uma “seita”, não uma corrente legítima da direita.
  • Ela apontou que o movimento subverte conceitos políticos e se afasta do conservadorismo institucional, que deve preservar as instituições.
  • Thronicke relatou ameaças e intimidação envolvendo seu filho trans durante a campanha presidencial de 2022.
  • Ex‑aliada de Jair Bolsonaro, a parlamentar disse que sua experiência nos bastidores mudou a percepção sobre o ex‑presidente e seus aliados.

A senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) classificou o bolsonarismo como uma seita, e não como uma corrente legítima da direita, durante entrevista ao canal MyNews. Ex-aliada de Jair Bolsonaro, a parlamentar afirmou que o movimento subverteu conceitos políticos e se afastou do conservadorismo institucional, que, segundo ela, deve ter como princípio a preservação das instituições. “Eu não vejo o bolsonarismo como um espectro de direita, eu vejo eles como uma seita”, declarou. Para Soraya, a adesão ao movimento também envolve uma dissonância cognitiva coletiva que impede parte de seus apoiadores de reconsiderar posições diante de informações e acontecimentos políticos.

Ao relembrar sua trajetória, Soraya reconheceu que já esteve alinhada ao bolsonarismo e apoiou pautas como o impeachment de Dilma Rousseff, mas afirmou que sua experiência nos bastidores do poder mudou sua percepção sobre o ex-presidente e seus aliados. A senadora relatou ter enfrentado ameaças e perseguições políticas e afirmou que, durante a campanha presidencial de 2022, sofreu intimidação envolvendo seu filho, que é trans. Segundo ela, a possibilidade de exposição pública da identidade de gênero do filho foi usada como instrumento de pressão política. Soraya também criticou a postura de Bolsonaro diante de adversários e antigos aliados, sustentando que o movimento se alimenta da fidelidade pessoal ao ex-presidente, mesmo quando seus apoiadores são confrontados com informações que, em sua avaliação, deveriam levar a uma revisão de suas posições.

Na avaliação da senadora, a reconstrução da direita brasileira depende da recuperação de valores democráticos e institucionais, hoje, segundo ela, comprometidos pela influência bolsonarista. Autodefinida como liberal social, Soraya defendeu uma política orientada pela defesa da democracia, da soberania nacional e da dignidade humana. Nesse contexto, declarou apoio à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, a quem considera um líder pragmático e capaz de dialogar com diferentes setores políticos. Para ela, a escolha eleitoral vai além da divisão tradicional entre esquerda e direita: envolve a preservação das instituições e a possibilidade de superar a polarização que marca o país.

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