Fase “radical” de Tarcísio não convence todo o bolsonarismo Foto: Marcello Casal Jr (Agência Brasil)

Fase “radical” de Tarcísio não convence todo o bolsonarismo

Guinada do governador ao radicalismo, com ataques a Moraes, é vista ainda com desconfiança pelo bolsonarista raiz

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  • Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, atacou ontem o ministro Alexandre Moraes, do STF, chamando‑o de “ditador” e “tirano”.
  • O objetivo é se apresentar como a voz da direita e dos extremos na corrida presidencial de 2026.
  • Seu nome não foi citado em manifestação de apoiadores de Bolsonaro em Brasília, sinalizando adesão parcial ao bolsonarismo.
  • A postura surge na véspera do provável julgamento e condenação de Jair Bolsonaro, tornando o gesto arriscado.

Tarcísio de Freitas tem feito todos os esforços para cair no colo e na graça de vez de todos os bolsonaristas. Com os duros ataques que fez ontem a Alexandre Moraes ele tenta se credenciar e se cacifar como o nome da direita e seus extremos na disputa presidencial de 2026. O governador tá lançando mão de todo o estoque à disposição para alcançar esse intento.

Ao chamar o ministro do STF de “ditador” e “tirano”, um gesto e declaração calculados, o governador subiu o tom e escalou, como se diz, de forma pensada. Na véspera do julgamento, e provável condenação de Bolsonaro, fez um gesto arriscado. Mas essa postura agressiva garante a ele a adesão plena do bolsonarismo? A resposta é não!

Leia Mais: Para atrair bolsonaristas, Tarcísio chama Moraes de ditador

Na manifestação dos seguidores de Bolsonaro em Brasília, por exemplo, o nome de Tarcísio sequer foi citado. O bolsonarista raiz ainda sonha com o ex-presidente candidato ou até mesmo um de seus filhos. Enaltecido mesmo foi Eduardo Bolsonaro, e seus gestos de conspiração contra o Brasil.

Tarcísio tem também atuado em Brasília para fazer aprovar um projeto de anistia. Há quem veja aí um “jogo de cena”. O governador quer demonstrar ser um bolsonarista radical de carteirinha, o que não é. Para usar uma expressão antiga, até as carpas do espelho d´água do Alvorada sabem que Bolsonaro seguirá inelegível. Pode não ir preso para a Papuda, mas ter seu nome nas urnas, impossível.

O governador arrisca nos seus movimentos. Fora Bolsonaro, é o mais forte candidato da direita a enfrentar Lula, ainda que as pesquisas não lhe sejam favoráveis. Após a provável condenação do ex-presidente, deve seguir ampliando o tom do ataque e tentar articular a aprovação da anistia. Os bolsonaristas, que demonstraram força ontem,  deverão ir para as ruas após o STF dar seu veredicto, mas será que gritando “Brasil urgente, Tarcísio presidente”? Será conferido.

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