Privatização, penduricalho e Master no debate dos “Kassabers” Coletiva de imprensa com integrantes do PSD. Foto: Beatriz Wicher PSD

Privatização, penduricalho e Master no debate dos “Kassabers”

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Encontro reuniu líderes estaduais apontados como possíveis candidatos à Presidência em 2026; coletiva foi encerrada por Kassab após perguntas sobre o escândalo do Master

Nesta sexta-feira, no Clube Monte Líbano, em São Paulo, governadores que vêm sendo citados como possíveis candidatos à Presidência da República participaram de um debate político voltado à apresentação de ideias e propostas para o país.

O encontro reuniu Ratinho Júnior, governador do Paraná, Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, e Ronaldo Caiado, governador de Goiás. Os três participaram do evento promovido pelo Partido Social Democrático (PSD), legenda criada em 2011 e que hoje reúne uma das maiores bancadas do Congresso Nacional.

O partido se posiciona como uma sigla de centro e tem ampliado sua presença na política nacional, governando estados e buscando protagonismo nas discussões sobre o futuro do país. O debate foi organizado justamente para expor ideias, propostas e possíveis caminhos para as eleições presidenciais de 2026.

 

Debate entre governadores

Durante o debate, os governadores apresentaram diferentes visões sobre o papel do Estado e as prioridades de políticas públicas para o país. Apesar das diferenças de abordagem, os três participantes convergiram em alguns pontos, como a necessidade de modernizar a máquina pública, investir em educação e ampliar políticas que estimulem crescimento econômico e geração de oportunidades.

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, afirmou que o Brasil tem grande potencial econômico, mas enfrenta problemas de direção política e falta de planejamento de longo prazo. Para ele, o país precisa construir um projeto nacional capaz de superar a polarização política e aproveitar melhor suas potencialidades.

Já o governador do Paraná, Ratinho Júnior, defendeu mudanças na estrutura do Estado e maior participação da iniciativa privada em serviços públicos. “O papel do Estado não é ser empresário. O papel do Estado é prestação de serviços”, afirmou durante o debate ao comentar a necessidade de modernização da administração pública e fortalecimento de mecanismos de regulação.

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, por sua vez, também abordou o tema da eficiência da gestão pública e criticou os chamados “penduricalhos” no funcionalismo. “Isso é algo que nenhuma máquina de governo suporta”, afirmou ao comentar benefícios que, segundo ele, acabam ultrapassando o teto de gastos.

Ao longo da discussão, os três governadores também abordaram temas como segurança pública, programas sociais, organização do Estado, privatizações e fortalecimento dos municípios. Em diferentes momentos, os participantes citaram experiências de suas gestões estaduais como exemplos de políticas que poderiam ser ampliadas em nível nacional.

 

Coletiva de imprensa 

Após o debate, os governadores e o presidente do PSD, Gilberto Kassab, conversaram com jornalistas e responderam perguntas sobre o processo de escolha do candidato do partido para a eleição presidencial.

Kassab afirmou que a definição do nome do PSD pode ocorrer antes do prazo inicialmente mencionado. Segundo ele, o limite é 15 de abril, mas a decisão pode ser antecipada. “O limite é 15 de abril, mas pode ser amanhã, a semana que vem, daqui 15 dias”, afirmou. Ele disse ainda que o processo deverá ocorrer com consenso dentro do partido. “Eu conheço o nosso partido, que nós vamos ter muita harmonia na decisão. Os três participarão da decisão e teremos um candidato apoiado pelos três e pela grande maioria do partido.”

Questionado sobre pesquisas eleitorais, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, relativizou a importância dos levantamentos neste momento. Segundo ele, os resultados atuais não determinam o resultado final da eleição. “Eu não liderei nenhuma das pesquisas meses antes da eleição quando disputei prefeitura ou governo”, afirmou. Para Leite, o mais importante agora é observar o clima do eleitorado. “O sentimento que a gente observa nas pesquisas é de rejeição ao atual governo e também de rejeição ao candidato que protagoniza a oposição.”

O governador do Paraná, Ratinho Júnior, também comentou a disputa interna no partido e afirmou que cada um dos governadores naturalmente se vê como possível candidato. “Torço por mim próprio, né? É normal que seja”, disse.

Já o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, comentou o impacto político do caso envolvendo o Banco Master e afirmou que o tema pode ganhar destaque no debate eleitoral. “Tem tanta gente envolvida, tem tanto tipo de corrupção… o que vem à tona agora certamente vai entrar no debate”, afirmou.

Questionado também sobre a possibilidade de investigação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, Caiado afirmou que eventuais responsabilidades devem ser apuradas. “Deve ser investigado”, disse, acrescentando que eventuais medidas institucionais seguem os procedimentos previstos na Constituição e no Senado Federal. Afirmou que quando ele chegar à presidência vai tratar desse assunto.

Pouco depois das perguntas relacionadas ao caso do Banco Master, Kassab decidiu encerrar a coletiva. O presidente do PSD agradeceu a presença dos jornalistas e finalizou a entrevista.

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