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Às vésperas do primeiro turno, há um indicativo claro de que a eleição permanece polarizada entre Luiz Inácio Lula da Silva, presidente incumbente e candidato à reeleição pelo PT, e Flávio Bolsonaro, senador pelo PL. As pesquisas mais recentes, contudo, não autorizam afirmar antecipadamente o desfecho da disputa. Ao contrário: mostram uma corrida apertada, com […]
Às vésperas do primeiro turno, há um indicativo claro de que a eleição permanece polarizada entre Luiz Inácio Lula da Silva, presidente incumbente e candidato à reeleição pelo PT, e Flávio Bolsonaro, senador pelo PL. As pesquisas mais recentes, contudo, não autorizam afirmar antecipadamente o desfecho da disputa. Ao contrário: mostram uma corrida apertada, com diferenças que, em diversos levantamentos, estão dentro das respectivas margens de erro. O cenário, portanto, é de forte competitividade e não de resultado definido.
Nesse contexto, aparecem análises e projeções sobre a possibilidade de uma definição ainda no primeiro turno. Para que isso ocorra, entretanto, é preciso considerar não apenas a intenção de voto declarada, mas também comparecimento, distribuição dos votos entre os demais candidatos e eventual migração de eleitores na reta final. A abstenção é frequentemente apontada como uma variável importante, mas sua dimensão e seu impacto sobre cada candidatura não podem ser tratados como fatos antecipadamente conhecidos. O mesmo vale para a hipótese de migração de votos de candidatos como Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos para Flávio Bolsonaro: trata-se de uma possibilidade a ser observada na reta final, e não de um movimento já consumado.
Lula, entretanto, carrega algo que nenhum outro candidato possui nesta eleição: uma marca política construída durante décadas. Essa longevidade, contudo, tem um preço político. Ao mesmo tempo em que Lula é amplamente conhecido, carrega também uma rejeição expressiva, assim como o próprio PT. O antipetismo, em determinados segmentos, ultrapassa a divergência programática e assume contornos de forte rejeição (e até ódio) à figura de Lula e ao partido. Da mesma forma, o bolsonarismo construiu uma identidade política capaz de organizar parte importante do eleitorado em torno da rejeição ao petismo. A eleição de 2026, nesse sentido, continua sendo marcada por duas forças políticas que não são recentes, mas resultado de uma história acumulada.
Lula chega a esta candidatura sem apresentar, até aqui, uma grande novidade programática que reorganize sua relação com o eleitorado. Mas tem manejado a caneta presidencial com medidas de forte apelo social e econômico. No campo tributário, a partir de 2026, passou a vigorar a isenção de Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil mensais; em maio deste ano, o governo também acabou a chamada “taxa das blusinhas; na área social, o governo anunciou para outubro a recomposição de 15,04% dos valores do Bolsa Família; na saúde, há uma possibilidade de fornecimento pelo SUS das chamadas canetas emagrecedoras. E, poucos dias antes do primeiro turno, veio outra medida de grande impacto: Lula assinou uma medida provisória que proibiu as chamadas bets, em todo o território nacional. E, por fim, uma fake news abarcando Nossa Senhora, padroeira do Brasil, tem trazido prejuízos políticos à candidatura de Flávio Bolsonaro e com reverberação no STF.
Independentemente do resultado desta eleição, uma questão parece incontornável: estamos diante do final de um ciclo eleitoral de Lula. Se Lula vencer, como será governar com um Congresso provavelmente mais arredio e de direita? Se for derrotado, será um fim melancólico para o lulopetismo e dificuldade de se reerguer?.
Em 2030, já não haverá Lula disputando eleição e isso deixará o campo progressista sem sua principal liderança histórica, mas, ainda, abrirá espaço para a renovação na esquerda e, quem sabe, levar a uma despolarização da política brasileira.