Flávio e Michelle Bolsonaro. Foto: UOL Notícias
O pré-candidato Flávio Bolsonaro tem, por conta de seu sobrenome e da rejeição ao lulopetismo, um virtual lugar no segundo turno da eleição de 2026 contra o Presidente Lula. Assim, aproveitando ainda o clima de Copa do Mundo, Flávio poderia “jogar” parado no meio de campo e, quando possível, partir para o ataque para desgastar […]
O pré-candidato Flávio Bolsonaro tem, por conta de seu sobrenome e da rejeição ao lulopetismo, um virtual lugar no segundo turno da eleição de 2026 contra o Presidente Lula. Assim, aproveitando ainda o clima de Copa do Mundo, Flávio poderia “jogar” parado no meio de campo e, quando possível, partir para o ataque para desgastar Lula. Contudo, situação adversa ocorreu. Vejamos.
Em 7/5/26, o primeiro desgaste contra Flávio Bolsonaro, uma operação de busca e apreensão contra Ciro Nogueira, que era cogitado até para ser vice na chapa; em 13/05/26, divulgação do áudio de Flávio Bolsonaro negociando com Daniel Vorcaro repasse de milhões para a cinebiografia “Dark Horse”, acerca de Jair Bolsonaro; em 14/05/26 reunião de emergência traz uma nota oficial afirmando tratar-se de “patrocinio privado para um filme privado”; em 19/05, Flávio Bolsonaro confirma que teria visitado Daniel Vorcaro em prisão domiciliar e de tornozeleira eletrônica; em 24/06, a segunda bomba, um vídeo de Michelle Bolsonaro acusando Flávio Bolsonaro de maltratá-la e menosprezar sua importância política; em 7-8/06/26, Márcio Canella, ex-preito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro, é preso em flagrante em operação que investiga lavagem de dinheiro em postos de gasolina; ao longo de julho a federação União Brasil-PP, que abrigava a candidatura de Canella indica que adotará posição de neutralidade em relação ao pré-candidato bolsonarista e o mesmo é indicado pelo Republicanos; ainda em julho (21-23), há impasses na escolha do vice na chapa de Flávio Bolsonaro; some-se os desgastes produzidos pelo tarifaço de Trump cujo DNA está associado, inexoravelmente, ao clã Bolsonaro; e, por fim, o ministro do STF André Mendonça autoriza abertura de inquérito para investigar o dinheiro relacionado a “Dark Horse” e o envolvimento de Flávio Bolsonaro.
Faltando dois dias para a convenção do PL, Flávio Bolsonaro publica um vídeo pedindo desculpas para Michelle Bolsonaro e, ato contínuo, pouco tempo depois, Michelle responde dizendo que o perdoa e que devem seguir juntos, politicamente, em prol do Brasil e do líder maior, Jair Bolsonaro. Após todos os eventos negativos no bojo da pré-campanha do senador é provável que a reconciliação com Michelle seja, até aqui, a única boa notícia no campo político. Contudo, a reconciliação surge, concomitantemente, a uma informação de que o escritório de Flávio Bolsonaro emitiu três notas fiscais somando R$ 1,5 milhão para empresas ligadas à estrutura financeira de Daniel Vorcaro – duas notas foram canceladas e uma delas consta não ter registro de cancelamento. A pergunta, aqui, é a seguinte: a reconciliação ajuda na convenção e é um ponto positivo após sequência de desgastes ou é, apenas, uma forma de desviar a atenção, agora, para essas notas fiscais indicando mais conexões com Vorcaro?
Em pouco mais de dez semanas, a pré-campanha de Flávio Bolsonaro acumula desgastes em três frentes: 1) judicial (operações da PF voltadas aos aliados e ao filme “Dark Horse”; 2) político-partidária (resistência de apoio do Centrão e dificuldade de escolher candidato a vice na chapa) e 3) familiar-simbólica (disputa pelo espólio político e eleitoral entre Michelle Bolsonaro e os filhos de Jair Bolsonaro).
Ressalte-se que os desgastes foram oriundos do próprio campo bolsonarista e não ataques do lulopetismo. Veresmos, em breve, como serão as ações e reações quando a campanha de fato se iniciar e os desgastes de Flávio Bolsonaro forem explorados pelo campo governista. O jogo continuará: defesa, domínio do meio campo e ataques!